Mais uma semana

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E lá se foi mais uma semana. Estou falando da 10ª Semana de Relações Internacionais realizada por docentes e discentes dos cursos de Relações Internacionais da UNESP dos campi de Franca e Marília. Para quem não sabe, as duas universidades possuem este curso e, em conjunto, realizam uma série de debates, palestras, mesas redondas, mini-cursos e apresentações de trabalho uma vez por ano. Comemorando uma dezena de encontros, o evento foi lotado na UNESP/Franca, na qual todos os colaboradores do blog estudaram. Escrevo, desta vez, de maneira diferente e proponho mostrar a seguir alguns dos debates que observei durante a semana. É bastante válido para todos acompanhar um pouco do que está rolando no mundo acadêmico e creio que este é um dos objetivos da própria Página Internacional: difundir as ideias para além das universidades. 

Começo pelo título do evento: “A construção das relações internacionais no Brasil no início do século XXI”. Desde já é nítida qual foi finalidade desta Semana de RI, fomentar o debate sobre as assim chamadas “relações internacionais brasileiras”. Nada mais correto, uma vez que o grande protagonismo nacional mundo afora vem aflorando nos últimos anos. Na conferência de abertura houve a participação do Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, atual Alto-Representante Geral do MERCOSUL. Sua fala centrou-se no futuro da política externa brasileira (PEB), afirmando que a região da América do Sul, e não a África, a Ásia ou a Europa, será a chave-mestre nacional. Nosso país tenderá a fortalecer a cooperação regional, promover a integração e, é claro, alimentar o seu interesse nacional enquanto, como todos dizem, país ou potência emergente. 

Posteriormente, destaco a mesa redonda sobre “Cultura e Relações Internacionais”. Foram discutidos os mais diversos temas, deste a própria conceitualização do que é cultural, até teorias feministas e intervenções externas norte-americanas. Do que mais me marcou, ficam as ideias do Professor Estevão Chaves de Rezende Martins (da UnB), que afirmou com convicção sobre a falácia da Primavera Árabe. Para ele, o termo é mal empregado e reflete apenas um conceito utilizado por leigos para que seja noticiado nos telejornais. Sumariamente, seu pensamento condiz com o fato da região (Egito, Líbia, Síria, etc) ser extremamente heterogênea e ter um histórico bastante variado, fatos que culminam na impossibilidade de amontoar tudo em apenas duas palavras. Se fosse assim, já ocorreram verões, outonos e até invernos árabes. Mas quase ninguém tem conhecimento disso. 

Por fim, mudo o tema para defesa e segurança. Acompanhei os debates a respeito da criação da UNASUL e consequentemente do seu Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS). O que deve ficar claro para todo mundo é que a UNASUL não porá fim ao MERCOSUL, porque tem objetivos diferentes. Tão diferentes que, se este ficou sobrando nos aspectos econômicos, aquela tenta promover uma maior cooperação política na região, indo ao encontro, também, do citado CDS. De acordo com os professores Jorge Szeinfeld (da Universidade de La Plata – Argentina) e Héctor Saint-Pierre (da UNESP/Franca), falta articulação política na região e, especificamente sobre defesa, é exatamente isso que o conselho vem tentando articular. Como a organização é muito nova, resta esperar as cenas dos próximos capítulos que estão sendo pesquisadas por vários alunos. 

Estas foram algumas das temáticas que fizeram parte da 10ª Semana de RI da UNESP. Daria pra citar uma série de outras coisas, principalmente sobre os mini-cursos ministrados que versaram sobre governança, identidade brasileira, teorias de integração regional, políticas públicas, dentre outros. Quem sabe a cobertura de eventos torne-se algo mais constante aqui no blog. É interessante, sempre interessante, fazer este paralelo e dividir o espaço entre academia e o “bate-papo internacional” do dia-a-dia.


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