Mais uma missão para a Liga da Justiça do Sul!

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O Brasil não aprende mesmo. Depois do fiasco da Furada Doha, os estrategistas do Itamaraty vieram com uma nova super idéia para desemperrar as negociações na Organização Mundial do Comércio: um novo acordo entre Mercosul, Índia e os países da África.

A idéia vem cheia de problemas de todos os tipos. Em primeiro lugar, é muito difícil investir em negociações multilaterais, ainda mais no âmbito da OMC, onde os acordos têm de sair por consenso. Se o Brasil não consegue acabar com as inúmeras disputas comerciais sequer com a Argentina, quem garante que o país irá conseguir conciliar os interesses do próprio Mercosul e ainda os da Índia e dos conflituosos países africanos?

Tive a oportunidade uma vez de ouvir um ministro explicando o porquê de o nosso país gostar tanto de negociações multilaterais, quem quiser se lembrar, veja o post aqui.

Como se não bastasse, há uma questão ideológica por trás dessa idéia. Mais uma vez nosso governo tenta criar a Liga da Justiça do Sul. A idéia por trás disso: somos do sul, pobres, oprimidos, temos de nos unir contra os ricos insolentes do Norte desenvolvido e opressor. Aliás, essa mania do Brasil foi tema da primeira postagem deste blog.

O problema é que a Liga não emplaca e, além disso, contrasta com a retórica do próprio governo. Não temos de olhar pra frente, termos orgulho do nosso país? Então porque ficar se fazendo de coitado mundo afora? O Brasil não deve apelar pra essa desculpa esfarrapada de que o Sul deve se unir contra os países ricos na formação de suas alianças e acordos.

não adianta fazer cara de coitado!

O resultado disso? Críticas e mais crítcas. Apoio à regimes questionáveis, acordos desnecessários, Venezuela no Mercosul, baixar a cabeça pra Argentina e outros. E o que o Brasil ganhou com isso até agora? Com certeza muito pouco. A ver pelos resultados da Rodada Doha, na qual gastamos 10 anos enquanto o mundo todo avançava em inúmeros acordos comerciais.

Não que devessemos esfolar todo mundo, mas adotar uma postura mais coerente com a de uma potência aspirante e que quer uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU é bom de vez em quando.

E além disso, no que adianta ver e tratar os países ricos como inimigos? E não é só na área comercial, que o digam o Battisti e os cubanos que foram deportados.

Vamos ver até onde vai essa nova idéia de juntar o mundo pobre contra os ricos…

Será a mais nova integrante da Liga?


Categorias: Brasil, Política e Política Externa


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