Mais uma coitada no fogo cruzado

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Nessa semana está ocorrendo nos EUA a sabatina à Sonia Sotomayor, jurista indicada pelo Presidente Obama à Suprema Corte Norte-Americana. Dona de um currículo invejável (formada em Princeton com doutorado em Yale) e de uma carrerira louvável, está sendo posta em dúvida até que ponto suas origens porto-riquenhas podem atrapalhar seus julgamentos.

Senadores conservadores republicanos (quase um pleonasmo), em suas incessantes jornadas que visam desmoralizar ou questionar qualquer iniciativa do governo democrata, acusam Sotomayor de realizar “ativismo judiciário” em prol da causa latina. Detalhe: quem primeiro a indicou para um Tribunal Federal foi George Bush Pai.

A criticam ignorando seu excelente histórico, ocasionando por manchar toda sua carreira jurídica com “suposições” que fazem questões de tornar pública. Lembrando que todo membro da Suprema Corte só deixa o cargo em caso de aposentadoria (como o juiz que deixou a cadeira que possivelmente irá ocupar), invalidez, morte ou impeachment.

Tudo bem que a juíza já fez o uso infeliz das palavras “latina sábia” para justificar suas decisões, mas políticos podem se dizer orgulhosamente WASPs (sigla em inglês para “Anglo-saxão branco e protestante”) e ninguém procura deslegitimá-los em sabatinas públicas.

Junta-se isso ao hábito “peculiar” da política norte-americana de buscar cabelo em ovo em disputas eleitorais e vemos que bizzarisse política não ocorre só no Brasil. Para os que pensam que os republicanos são os vilões desses embates, devemos recordar dos ataques democratas que chegaram ao cúmulo de dizer que o McCain não podia concorrer à eleição por ter nascido no Canal do Panamá (que na época era propriedade dos EUA…). Deixando a situação ainda mais pitoresca, esses ataques costumam ser esquecidos pelos eleitores, dando à esses ataques feições quase que fetichistas.

Resumindo: o rumo que essa sabatina está tomando não passa de mais um ataque político indireto que não acrescenta nada e pouco tem efeito nas eleições adiante.

PS: Lembrando que o partido republicano é fã de carteirinha dessa Corte, já que ela se recusou em 2000 a recontar os votos da eleição fraudada de George Bush Junior. Fica mais claro agora o porque de não deixar alguém “liberal” ou até mesmo “centrista” fazer parte.


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