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Fonte: CSMonitor.com


Desde 2007, com as entradas da Bulgária e da Romênia na União Europeia, costumava-se chamar o bloco de “Europa dos 27”. A partir de hoje já não mais usaremos essa alcunha, pois a Croácia foi oficialmente aceita como vigésimo oitavo membro da UE. A adesão formal será colocada em prática no próximo dia 1º de Julho, mas a reunião entre Chefes de Estado e Governo realizada em Bruxelas, na Bélgica, já relatou o fim desse processo que durou vários anos e meses. 

Já está no ar, inclusive, um site oficial da UE que trata da entrada da Croácia no bloco. O pedido de adesão ocorreu ainda em 2003, mas, como requisito obrigatório para qualquer país, os croatas tiveram que provar eficácia política, econômica e social para fazer parte do processo integracionista. Caráter democrático, direitos humanos respeitados e proteção às minorias são algumas das questões em pauta. 

Pode-se dizer que o primeiro antecedente histórico da UE foi a consolidação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) ainda em 1951. Naquele contexto posterior à Segunda Guerra Mundial, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, Alemanha, França e Itália (a chamada “Europa dos Seis”) aglutinaram suas economias e tentaram promover certo equilíbrio e paz na região. Genericamente, a iniciativa deu certo e anos mais tarde foi criada a Comunidade Econômica Europeia (CEE em 1957). A UE, por si só, foi oficialmente designada em 1992 com o Tratado de Maastricht. 

A entrada da Croácia é um caso prático do que comumente se denomina na academia de “enlargement” da integração regional, ou seja, o processo de alargamento e de adesão de novos países a determinado bloco. Na Europa isso é visível, conforme foi citado no parágrafo anterior. E isso tenderá a acontecer nos próximos anos, pois existe essa tentativa de soma dos países da Europa Oriental à UE. Macedônia e Sérvia são candidatas futuras para adentrar no regionalismo. A Turquia parece um sonho/pesadelo distante, pois, em termos práticos, é a fronteira entre europeus e o Oriente Médio. 

Por motivos óbvios, autoridades europeias e croatas estão com uma visão otimista sobre o andamento das negociações. De fato, a Croácia tende a colher bons frutos com a integração. O problema continua a ser financeiro: sua economia é pequena e está em recessão, a taxa de desemprego chegou à casa dos 21% nos últimos tempos. Para a população parece haver duas posições díspares: adesão à UE sim, mas adesão ao Euro não! 

No curto prazo, a entrada da Croácia, um pequeno país dos Bálcãs, no (muitas vezes sim e muitas vezes não) mais bem sucedido exemplo de integração regional, pode parecer pouca coisa. Entretanto, representa, também, uma estratégia para voltar a falar de uma Europa que cresce, se esparrama e possui prestígio no continente. Politicamente, a UE é um exemplo a ser seguido, embora falar do bloco como uma unidade (n=1) seja, muitas vezes, símbolo de um grau exagerado de otimismo. A questão econômica ainda assusta, mas os croatas não representam uma mudança nesse sentido. Continua nas mãos da Alemanha e da França, majoritariamente. 

PS: Aos interessados nesse e outros debates mais amplos, recentemente escrevi uma resenha do livro “Integração Regional: uma introdução”, do diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida. Para acessá-la no Mundorama, basta clicar aqui.


Categorias: Europa, Organizações Internacionais