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Os mexicanos foram às urnas no último domingo para escolherem o novo presidente. Enrique Peña Nieto é realmente novo, mas seu partido é um velho conhecido dos “hermanos do norte”. Após governar o país durante praticamente 70 anos (1929-2000) e ficar na oposição durante 12 anos (2000-2012), o Partido Revolucionário Institucional, mais conhecido por sua sigla PRI, volta a ocupar o mais alto cargo da república federal.

Entretanto, o discurso de Peña Nieto é diferente. Em nenhum momento, durante sua campanha eleitoral, quis evidenciar o passado do partido, que é extremamente marcado por compras de voto e corrupção, algo bastante conhecido aqui mesmo no Brasil. Não se pode esperar uma “democracia plena” em um país no qual o mesmo partido vence as eleições durante sete décadas, não é mesmo? 

Em carta intitulada “O próximo capítulo do México”, o presidente eleito afirma pertencer a uma nova geração do PRI comprometida com a democracia. Aos mexicanos cabe não temer “a volta dos velhos tempos”, uma vez que o objetivo primordial do seu governo é rejeitar “as práticas comuns no passado e, ao mesmo tempo, […] abandonar o impasse político do presente”. Será mais um velho discurso de um novo presidente? Mais do mesmo blá, blá, blá? 

O principal problema mexicano é o baixo crescimento econômico apontado em apenas 1,7% entre 2000 e 2010 pelo Instituto Nacional de Estatísticas do México (INEGI). Soma-se a isso o “caos urbano” marcado por altos índices de violência, banditismo e tráfico de drogas. Logo após as eleições, por exemplo, houve um atentado com carro-bomba, cujo alvo principal era o Secretário de Segurança Pública do estado de Tamaulipas, no norte do país. 

São retratos de um país que é refém do seu passado. No cenário interno, podemos dizer que o PRI atuou de forma centralizadora e nada contribuiu para a abertura política, tanto é que Peña Nieto manteve o discurso justamente na mudança de paradigmas já há tempos conhecidos pela população. Externamente, o país continua meio apagado, o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA) beneficia os estados que fazem fronteira com os Estados Unidos, mas o restante do território fica jogado às traças.

Enrique Peña Nieto tem um grande desafio pela frente. Os mexicanos esperam uma transformação, haja vista que estão cansados da obsolescência política. E tudo não começou bem: Andrés Obrador, candidato da esquerda que ficou em segundo lugar nas últimas eleições ocorridas nesta semana, apontou fraude na contagem de votos. A vitória “virtual” é de Peña Nieto e, até agora, continua sendo mais do mesmo na história mexicana.


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