Mais Brasil na Espanha…

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E começou mais uma Cúpula Ibero-americana de Chefes de Estado e de Governo. A vigésima segunda da história, realizada em um momento internacional muito diferente de duas décadas atrás. Enquanto em 1991 se reuniam pela primeira vez os países ibero-americanos (América Latina + Espanha e Portugal) em um contexto de crescimento econômico europeu e endividamento latino, neste ano de 2012 os papéis se encontram consideravelmente invertidos. [Veja um breve histórico a respeito das cúpulas precedentes aqui.] 

A tônica do início deste encontro é clara: a América Latina é vista como uma “saída” para a crise que vivem Espanha e Portugal. As antigas metrópoles percebem atualmente nos emergentes países da América Latina, especialmente no Brasil, oportunidades de negócios que dependem de negociações bilaterais em que as ex-colônias estão em nítida vantagem comparativa. 

“Mais Brasil na Espanha… e mais Espanha no Brasil” é o que deseja Mariano Rajoy, o presidente do governo espanhol. De fato, nossa presidenta é a grande estrela da Cúpula que acontece entre hoje e amanhã em Cádiz, e uma agenda paralela de negociações diretas com a Espanha está também prevista. Sendo a Espanha o segundo maior investidor externo do Brasil, a expectativa de uma intensificação nas relações econômicas entre ambos é certamente uma prioridade espanhola pelo menos até 2016, com os grandes eventos esportivos. 

Mesmo com uma participação expressiva dos países ibero-americanos, as perspectivas de resultados multilaterais realmente significativos não são tão elevadas, com maior peso tácito para o diálogo bilateral. A importância deste encontro internacional parece residir, sobretudo, no fortalecimento dos laços entre países que partilham há séculos uma história comum, mas que têm vivido na contemporaneidade grandes altos e baixos econômicos os quais causam grande vulnerabilidade social – hoje notadamente na Espanha e em Portugal.

Visualizar um cenário internacional assim tão diferente do que jamais se poderia antes imaginar nos leva a refletir sobre como serão as coisas daqui a duas décadas, por exemplo. Previsões (das mais diversas) não faltam, mas tampouco são capazes de esgotar o assunto. A única certeza é que, hoje, na intensificação deste intercâmbio – com mais Brasil na Espanha e vice-versa, por exemplo – nós (como América Latina em geral) estamos em uma posição de barganha mais avantajada que nunca.


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