Luto e tensão no Quênia

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A notícia que abalou o final de semana vem da África, mais especificamente do Quênia – e está diretamente relacionada à Somália. O ataque ao shopping Westgate em Nairóbi, na capital do Quênia, já deixou, segundo a Cruz Vermelha local, 68 mortos e 175 feridos, sendo que ainda há reféns e os autores do ataque permanecem no local.

Ainda é muito cedo para qualquer análise a respeito da situação, mas a autoria do ataque já foi assumida pela milícia radical islâmica somali Al-Shabaab, a qual justifica o feito em represália contra a participação do Quênia na Missão de Paz das Nações Unidas na Somália.

A referida participação corresponde a 4 mil soldados quenianos que se encontram no sul da Somália desde 2011, envolvidos em esforços internacionais na busca pela estabilidade em um país que enfrenta violentas disputas pelo poder político desde 1991, com a queda do governo de Siad Barre. Neste ano de 2011, contudo, a saída dos militantes islamitas do grupo Al-Shabaab, vinculado à Al-Qaeda, da capital Mogadíscio deu novos ares de esperança à reconstrução do país.

Vale relembrar, contudo, que a insistente intervenção da ONU na Somália é considerada um dos grandes fracassos da organização em sua história, denotando a complexidade da situação no país e a falta de preparo da comunidade internacional em lidar com este desafio. [Interessante artigo sobre as intervenções na Somália aqui.] O tema da legitimidade do uso da força vem à tona em meio a um debate que talvez nunca se esgote.

Este ataque premeditado pelo grupo Al-Shabaab no Quênia só demonstra o quanto ainda há a ser realizado em termos de diálogo para que a mais nova missão da ONU no país, estabelecida em maio deste ano (Missão de Assistência das Nações Unidas na Somália – UNSOM), venha efetivamente a cumprir sua missão de facilitadora e auxiliar o atual governo federal interino a harmonizar os interesses nacionais em busca da paz – no país e na região.

Aliás, é tristemente irônico que um ataque deste porte tenha ocorrido no Quênia justamente no Dia Internacional da Paz, celebrado pela ONU em 21 de setembro desde 1981. Percebemos, infelizmente, que a distância entre as declarações e a prática com frequência é muito maior de que se espera ou do que se possa porventura imaginar…


Categorias: África, Conflitos, Organizações Internacionais


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