Liberté, égalité, fraternité?

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A Revolução Francesa marca o início da Idade Contemporânea. Sob o mote “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” (Liberté, Egalité, Fraternité), o movimento francês inspira-se no Iluminismo e lança uma nova fase da História Mundial. Essa semana, o senado francês confirmou a legalidade da medida que impede que mulheres usem a burca em locais públicos, e o governo reafirma a deportação de cerca de 8 mil ciganos para Romênia e Bulgária.

Por partes: a burca. Sarkoszy julgou que o uso da vestimenta rebaixa a mulher a uma condição de servidão. Agora aprovada, não se poderá circular nas ruas com a vestimenta, sob risco de multa de 150 euros. Ora, será mesmo que proibir o uso da burca fará com que as muçulmanas sejam mais respeitadas dentro de suas famílias, trará igualdade em relação aos homens? Segundo a Human Rights Watch, “proibir a burca não trará a liberdade às mulheres, não fará mais do que estigmatizar e marginalizar as mulheres que a utilizarem. A liberdade de exprimir a religião e a liberdade de consciência são direitos fundamentais”.

Agora vamos aos ciganos. A medida francesa se destinava aos imigrantes ilegais. Aí vem alguém e fala: mas o que há de errado em deportar imigrantes ilegais? Nada. Mas por que a medida se restringe aos ciganos, e não aos albaneses, turcos, poloneses, e os tantos outros que vivem nas sombras das portas de entrada para imigrantes na França? Para justificar-se, Sarkozy ligou os ciganos ao crime, e se recusou a cumprir uma resolução do parlamento europeu que ordenava a suspensão imediata da expulsão de ciganos do território francês, bem como da coleta de impressões digitais dos mesmos.

Tudo isso tem raízes em um único ponto: eleições. Em 2007, o presidente francês foi eleito como uma promessa para a economia do país, em declínio, bem como objetivando a redução do desemprego para menos de 5%. Com a recessão mundial, centenas de milhares de empregos foram cortados na França.

O resultado veio nas urnas, em 2010. O partido de Sarkozy foi derrotado nos pleitos para as regiões administrativas francesas, quando a aprovação ao governo Sarkozy não alcançava 30%. Quem subiu com isso foi o Partido Socialista, e eis que uma expressão surpreendente de 12% dos votos foram para o partido de extrema-direita, a Frente Nacional, que se posicionava contrariamente às imigrações.

O fato é que as eleições primárias nos partidos políticos franceses se iniciam logo em janeiro próximo, apesar da disputa nas urnas ocorrerem apenas entre abril e maio de 2012. Com a decepção que causou no povo francês com seu governo, dificilmente Sarkozy teria chances num segundo pleito. De olho na opinião pública, com essa política de deportação de ciganos, sua aprovação já alcança 34%.

Pela manutenção de poder, vale tudo. Allons-y!


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