Liberdade x Farc: desafio internacional

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Como definir liberdade? Alguns podem caracterizá-la enquanto conquista humana que garante a não-submissão involuntária a quaisquer pessoas/instituições. Outros simplesmente a entendem como pressuposto natural da humanidade, reforçando a importância da independência do ser humano.

Em contrapartida, como definir as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)? Enquanto Raúl Reyes – importante representante da organização, morto em 2008 em uma operação colombiana – tratava o movimento enquanto “um exército do povo que se nutre da economia do país”, estes se auto-denominam desde 1964 como “guerrilheiros marxistas” e são internacionalmente reconhecidos como rebeldes com o intuito de tomar o poder da Colômbia à força.

O conceito de liberdade se distancia grandemente de tal instituição. Sua profunda ligação com o tráfico de drogas colombiano e a utilização de reféns para demonstrar as reais intenções do grupo são práticas recorrentes. Apesar da difícil estimativa do número de reféns em poder dos narcoguerrilheiros (mais informações sobre a organização aqui), esta semana duas pessoas deixaram de fazer parte desta trágica estatística de ausência de liberdade…

Notadamente a partir de 2008, missões humanitárias internacionais têm sido bem-sucedidas no resgate de reféns das Farc com o apoio do neutro e reconhecido Movimento Internacional da Cruz Vermelha. Os militares Josué Daniel Calvo e Pablo Emilio Moncayo foram libertados esta semana – o primeiro há 11 meses no cativeiro, enquanto o segundo se encontrava há 12 anos nesta situação (um dos mais antigos reféns!).

Um aspecto interessante a ser destacado foi a participação direta do Brasil no sucesso da missão, sendo a atuação de seus militares caracterizada como “impecável” por um representante regional da Cruz Vermelha. A pedido do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, aproximadamente 20 militares brasileiros participaram da libertação dos reféns, e o próprio helicóptero utilizado no processo foi cedido pelo Exército do país (foto). Isto demonstra, pois, a confiança depositada na atuação do Brasil em termos internacionais, exemplificada no apoio logístico efetuado nesta missão humanitária de resgate (apoio este já ocorrido em outras missões, veja aqui e aqui, por exemplo).

Outro fato importante relativo às Farc ocorrido nesta semana foi a entrega dos restos mortais do major Julián Guevara, morto em 2006 sob controle da organização.

Percebe-se, então, que lidar com as Farc, organização tida por muitos como “terrorista” e envolvida nos âmbitos político, econômico e social da Colômbia, é sinônimo de enfrentar um grande desafio internacional no que tange a liberdade. Esperemos que, com a proximidade das eleições presidenciais no país, as discussões a este respeito possam ser fortalecidas na busca de medidas efetivas para a futura libertação da grande quantidade de reféns ainda em poder da narcoguerrilha.


Categorias: Américas, Brasil, Conflitos


1 comments
HARLEY
HARLEY

Parabéns Bianca,Texto muito bem elaborado.Com valor e conteúdo.Harley