Lembranças

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[Esse post foi escrito pelo Álvaro, que no momento está rumo à Semana de RI da UNESP Franca]

No dia 06 último, se completaram 65 anos do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima. O mesmo vale para o dia de hoje, 09 de agosto, data do ataque nuclear em Nagasaki. O uso dessas armas na atualidade parece descabido, e resta a memória pavorosa dos eventos de agosto de 1945. No ano em que, pela primeira vez, emissários norte-americanos representaram o país oficialmente na cerimônia de homenagem às vitimas dos bombardeios, eis um vídeo interessante sobre o assunto, que mostra todas as explosões nucleares ocorridas de 1945 a 1998.

A maioria são testes subterrâneos, claro. Mas há muitos fatos curiosos, como reparar que a quantidade de explosões no desenrolar do vídeo reflete a lógica dos Estados nos períodos da Guerra Fria: em anos-chave como 1958 e 1962, pipocam explosões por todo lado como instrumento de dissuasão; após 1992, com o START, acabam os testes nos EUA e Rússia. Quando a URSS testava algum aparato logo os EUA respondiam com várias explosões (o mesmo ocorrendo em menor escala para Índia e Paquistão na década de 90). Aliás, não houve um ano até 1993 sem que os EUA não estourassem uma única bomba. E a medalha de bronze nesse ranking, surpreendentemente, é da França, que emporcalhou o Pacífico e já testou bombas até na África (como se já não bastassem os problemas que eles já têm). Houve até testes no Atlântico sul, bem pertinho do Brasil, numa tal “Operação Argus”. Diz-se inclusive que houve testes clandestinos no Brasil, na cidade de Quixadá, mas isso já entra no terreno das teorias de conspiração.

Contudo, acho que o mais impressionante é ver o número total de bombas que já foram acionadas. 2053 artefatos até 1998. Praticamente uma bomba a cada 100 dias. Dizem que não se disparou um tiro entre EUA e URSS na Guerra Fria – mas explodiram mais de duas mil bombas atômicas! Na imagem final do vídeo é assustador ter noção de ver em quantos lugares isso já ocorreu (e que a costa oeste dos EUA ainda esteja inteira…).

Em um ano de revisão de protocolos do TNP, polêmica do programa nuclear iraniano e estripulias da Coréia do Norte, cabe uma pequena reflexão de um tema que parece meio distante, ou até mesmo enterrado no passado. Se é perturbador saber o tanto de explosões que ocorreram, ainda pior é constatar que ainda haja milhares desses artefatos estocados ou que seja cada vez mais plausível que algum esteja em mãos de gente sem receio de causar uma hecatombe. Basta um maluco explodindo uma no lugar errado para que a tragédia ocorra. Pode parecer algo de um passado distante, superado, mas o pesadelo nuclear vai acompanhar o homem enquanto houver quem possua ou saiba montar esses aparatos da morte.


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