Jogo de interesses

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Rússia
Enquanto os embates entre os países nos gramados pelo Brasil afora predominam nas manchetes internacionais, Rússia e Ucrânia ainda travam uma importante disputa política em que França e Alemanha se esforçam para assumir a mediação.

Desde o início das hostilidades no final do ano passado, intensificadas nos últimos meses, as centenas de mortos e feridos nos conflitos entre o governo ucraniano e os separatistas pró-Rússia revelam um cenário geopolítico complexo em que a recente anexação da Crimeia ao território russo demonstra que muitos são os interesses envolvidos na questão.

O recém-eleito presidente ucraniano Petro Poroshenko (à esquerda na foto), de perfil declaradamente pró-ocidental, parece motivado a cumprir uma de suas promessas eleitorais de restaurar a paz na região. Para este fim, ele anunciou essa semana seu plano de paz para o leste separatista, após a declaração de um cessar-fogo por parte do governo. A carência, entretanto, das necessárias negociações com todos os envolvidos fez com que os ataques permanecessem, deixando claro o caráter “unilateral” de uma iniciativa em que não foi negado o “direito de resposta” aos soldados ucranianos, deslegitimando a própria iniciativa…

O chamado “Plano A” de Poroshenko, por meio do qual a criação de uma zona de segurança “tampão” ao longo da fronteira dos dois países, livre de armas, representa um dos aspectos principais do processo de pacificação, o qual ecoa em concordância com o discurso da Rússia de impulso às negociações. Entretanto, na prática, com a situação ainda tensa, o governo russo anunciou ontem que seu exército se encontrava em estado de alerta, com possível deslocamento para a fronteira em resposta a manobras militares.

No “meio de campo”, os presidentes da França e da Alemanha, Hollande e Merkel, realizaram dois contatos essa semana com o presidente russo Putin, apelando para seu engajamento em prol do fim do conflito – e ameaçando a Rússia com a possibilidade de medidas da comunidade internacional em caso negativo.

Nestes contatos, ao pregar a necessidade de “entendimento político”, porém sem protagonizar de fato um processo de diálogo com os separatistas pró-Rússia, a estratégia de Putin confunde seus interlocutores europeus, porém apresenta claramente um incremento do poder russo na região e no mundo – deixando claro que esse jogo de interesses, com resultado incerto, ainda está longe de terminar.


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