Jishin, Kaminari, Kaji, Oyaji

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Segundo o provérbio japonês, quatro são as coisas que um japonês deve temer: Jishin, Kaminari, Kaji, Oyaji (tradução literal: Terremoto, Trovão, Incêndio e Pai). Apesar de a sociedade japonesa não se caracterizar mais pelo patriarcalismo, de certa forma (e infelizmente) o provérbio se confirmou hoje: o Japão enfrentou o maior terremoto já ocorrido no país (e um dos maiores ocorridos no mundo desde 1900), seguido de um tsunami com proporções trágicas.

Abalos sísmicos menores foram registrados posteriormente em conseqüência do terremoto na região e grandes ondas no Pacífico chegaram também à América, mas sem maiores danos. No Japão, as mortes decorrentes desta tragédia somam centenas, com prejuízos a milhares. Mensagens de lamento e apoio, bem como ações de assistência humanitária do mundo inteiro começam a chegar ao governo japonês, desde os grandes aliados norte-americanos – que possuem mais de 50 mil homens por lá –, até o governo brasileiro – país onde a colônia japonesa é bastante expressiva.

Este acontecimento nos leva a reflexões diversas, na medida em que os desastres naturais de grandes proporções têm se mostrado freqüentes no contexto atual e demonstram a urgência das discussões de caráter ambiental e humanitário: a mobilização internacional neste sentido é a única forma de serem alocados recursos e esforços para a prevenção e, se necessário, o socorro em situações de crise tal como esta. Contudo, aguardar avanços das cúpulas internacionais neste âmbito não parece uma perspectiva muito animadora…

Ainda uma outra reflexão é pertinente: a possível relação entre os regimes políticos e os desastres naturais e suas conseqüências. Em artigo da Foreign Affairs disponível aqui (sugestão do colaborador Giovanni Okado), o autor afirma que os governos não podem evitar o acontecimento de desastres naturais, mas podem sim se preparar para estes e minimizar seus efeitos para a população. Diante dos recentes terremotos no Haiti e no Chile, são perceptíveis grandes discrepâncias em que o argumento supracitado se aplica de forma coerente, relacionando os regimes políticos de cada um dos países e seus investimentos sociais.

Sabe-se que o Japão é um país rico e que tem implementado políticas preventivas no que tange a tragédias humanitárias e ambientais, possuindo os meios para minimizar as (inevitáveis) conseqüências sociais de desastres naturais como o de hoje. Resta-nos, desta forma, oferecer o apoio necessário em âmbito governamental para que a tragédia no país seja superada e, então, buscar a promoção de meios para que as reflexões expostas sejam aprofundadas a cada dia no cenário internacional.

Afinal, se o provérbio japonês inicialmente apresentado no post fosse atualizado diante do contexto mundial da atualidade, certamente a lista de “coisas a serem temidas” aumentaria de forma considerável…


Categorias: Ásia e Oceania, Assistência Humanitária, Direitos Humanos


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