ISO 26.000

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A gestão da Responsabilidade Social para a sustentabilidade nos negócios

A revista “The Economist”, uma das vozes mais influentes junto ao mundo corporativo, tomou uma posição interessante em relação à Responsabilidade Social Empresarial (RSE). Em 2005, divulgava artigos reconhecendo a relevância do debate, mas mostrava-se cética a sua plena validação. Definia a RSE como “uma análise equivocada de como o capitalismo serve a sociedade” e que “não poderia substituir políticas inteligentes nessas áreas”. Isso gerou frustração entre os especialistas e ativistas da RSE.

Eis que em 2008, a mesma “The Economist” reservou um edição ao mesmo tema. Dessa vez, a visão foi bem diferente: “uma pesquisa da Economist Intelligence Unit demonstrou que a responsabilidade corporativa tem ganhado força nas prioridades dos executivos” e também que: “bem feita, não está separada da atividade principal, como uma área reservada à virtude, mas é um bom negócio”. Há uma tendência de evolução da percepção da responsabilidade social empresarial (ou responsabilidade corporativa) por parte das empresas. Justamente o que foi capturado pela renomada revista.

O conceito de Responsabilidade Social não é novo. De fato, remonta a exemplos ainda do século 19 e início do século XX. Seja via a percepção que uma melhor qualidade de vida dos trabalhadores gera maior produtividade ou através da regulação estatal mais estrita, o conceito já apresentava suas bases. Desde então, passamos pela filantropia corporativa, investimento social, investimento social estratégico, até, finalmente, chegarmos à gestão da Responsabilidade Social. Passamos de iniciativas que não tinha relação com os negócios (a filantropia ou caridade) até uma de ampla grande vinculação com os negócios (a RSE integrada a gestão corporativa).

A ISO (International Organization for Standardization, em inglês) é uma federação mundial de organismos nacionais de normatização, a qual desenvolve normas internacionais por intermédio de comitês técnicos. Sua missão é desenvolver normas que sejam relevantes para os mercados a nível global e que ajudem a criar um mundo sustentável. Em imensa maioria, são normas técnicas, mas também existem as normas vinculadas à gestão e agora a responsabilidade social. A ISO 26.000 foi resultado de um virtuoso processo, que abrangeu governos, sindicatos, organizações internacionais, consumidores, indústrias e observadores; culminando em um guia para empresas que desejem aplicar a Responsabilidade Social de uma maneira integrada a sua gestão corporativa.

É uma falácia a velha história de que a RSE só se aplica quando tudo vai bem. A crise de 2008 demonstrou isso, através da redução somente dos investimentos em projetos filantrópicos e não em outros campos da Responsabilidade Social. Há a percepção que cuidar do financeiro, ao mesmo tempo em que do social, ambiental, desenvolvimento comunitário, relacionamento com fornecedores e direitos humanos; tende a gerar sustentabilidade no longo prazo. A norma, tal qual a RSE em si, não se aplica somente a empresas e sim a todas as áreas de atuação humana. É uma forma de desenvolvimento intimamente interligada à sustentabilidade. Reconhece-se, neste sentido, que não obstante ao horizonte é comum, cada país tem uma posição de largada diferente, por isso devem ser avaliados de acordo com seu contexto nacional de partida. Cabe ainda ressaltar também que somente cinco países foram contra a norma: Índia, Cuba, Estados Unidos, Turquia e Luxemburgo.

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Categorias: Organizações Internacionais


1 comments
Mário Machado
Mário Machado

Tenho que informar quanto a questão filosófica envolvendo essa norma, mas nada tenho contra agir com responsabilidade social, econômica, ambiental e com os acionistas.Mais uma vez agradeço o gentil link.Abs