Irã, Irã, o…

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Pessoal, estamos de volta à dança do Irã. Aproveitando também o embalo da premiação no Top Blog, o que vocês acham de iniciarmos também uma eleição neste blog? Que tal elegermos o Prêmio Robert do Noticiário? Digo isso, na verdade, porque está difícil de tratar de outras notícias senão daquelas correlatas ao Irã – aliás, o país esteve em evidência na mídia internacional praticamente o ano todo. Outro forte candidato é o Afeganistão. Por enquanto, concentremo-nos na terra dos atoladinhos. Ops, aiatolás.


Como falamos em outro post, o gentílico do Irã mudou: agora, quem nasce no país é irado. Atualmente, uma porção de dirigente irados estão envoltos por tanta retórica com relação à questão nuclear. Outrossim, a comunidade internacional afirma que o Irã já dispõe da tecnologia necessária para construir uma bomba atômica, contudo, as evidências não são tão factuais, a ponto do diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, discordar da autenticidade delas. De um lado, um discurso marcado por provocações e ambigüidades, de outro, intimidações superficiais sem a comprovação dos fatos.

Mesmo assim, a agência nuclear da ONU divulgou um relatório – no mínimo, apressadamente – que exalta as condições e os anseios iranianos para produzir artefatos nucleares. E qual o título desse relatório? “Possíveis Dimensões do Projeto Nuclear Iraniano”. Sim, POSSÍVEIS. Outro funcionário da agência chegou a declarar que tal relatório se trata, na verdade, de um resumo atual das investigações no país e que não estava pronto para ser emitido como um documento oficial. Qual a nossa surpresa: temos um documento oficial que se baseia em possibilidades para justificar uma ação precipitada.

No entanto, não é para menos, ainda mais quando se trata do Irã. Todos sabemos do seu polêmico presidente, do resultado das eleições deste ano e da empreitada pirotécnica do país. Muitas vezes, os dirigentes irados perdem a chance de permanecerem calados quando alegam direitos iguais e afirmam lutar pelo desarmamento. Para que inventar tantas fábulas? Em recente entrevista ao jornal Der Spiegel, Saeed Jalili, negociador chefe nuclear, mostrou porque foi escolhido para o posto. É impressionante como as suas palavras se metamorfoseiam para não chegar a lugar algum. Jalili demonstra toda a sua preocupação com a humanidade, afirmando que a luta pelo desarmamento é um dever de todos (inclusive do Irã), ao mesmo tempo em que defende o direito iraniano (irado) de enriquecer urânio para fins pacíficos. Eliminar o câncer da Terra (ou seja, Israel) é um dever para a humanidade? Mostrar ao mundo, no dia 28 de setembro, a realização de testes de mísseis de longo alcance (capazes de combater o câncer e as substâncias cancerígenas – as bases dos EUA no Oriente Médio) é usar a tecnologia nuclear para fins pacíficos ou lutar pelo desarmamento?

A comunidade internacional – mais especificamente China, EUA, França, Reino Unido e Rússia – iniciou no dia 1º de outubro um diálogo com o Irã acerca do “virtual” desarmamento do país e da inspeção de uma usina de enriquecimento de urânio, perto da cidade de Qum. Por enquanto, está prevista uma inspeção ao local no prazo de duas semanas e o envio de parte do urânio enriquecido para a Rússia – que deve ser testado -, resultado das primeiras negociações.

Levantemos agora um último aspecto: a atual situação do Irã e a repercussão que ela traz para os EUA. Os recentes desdobramentos traz diversos desafios para a política de segurança do governo Obama: pressão interna, posição do país no Oriente Médio, papel dos EUA no sistema internacional, dentre outros. O presidente norte-americano busca o endurecimento de sua postura, diz que não negociará eternamente com Ahmadinejad e prevê sanções severas, mas o Irã não sossega. Mas dissimula e provoca. Envia chanceler a Washington e Jalili diz ter apreço por novas sanções.

E aí, o que vocês acham do nosso primeiro candidato ao Prêmio Robert do Noticiário? O Irã e a comunidade internacional se perderam em suas mentiras: fala-se o que não se faz e se intervém pelo que não se comprova. Um novo exemplo para a já conhecida máxima do senador norte-americano Hiram Johnson, em 1917, “a primeira vítima quando começa a guerra é a verdade”. E quando matam a verdade antes da guerra, quem são as próximas vítimas?


Categorias: Defesa, Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Paz, Segurança


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