Integração Regional: uma única voz para a América do Sul

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Caros Leitores, a gripe suína, que, generosamente, contribuiu para que os estudantes de alguns estados do Brasil fossem contemplados com mais 15 dias de férias (caso, por exemplo, da Unesp/Franca), acabou por inviabilizar a nossa sequência especial de entrevistas com os professores do curso de Relações Internacionais de nossa tão amada universidade. Mas, fica o compromisso de que, assim que as aulas se normalizarem, o Giovanni – nosso repórter por um dia – retornará à ação com novas informações sobre assuntos instigantes da área.

Mas hoje gostaria de conversar com vocês sobre integração regional.

Há aproximadamente duas semanas atrás, ocorreu mais uma Cúpula do Mercosul, que segundo muitos avaliaram, pareceu mais uma visita de compadres do que realmente uma reunião de governantes com o objetivo de nortear os rumos do bloco do Cone Sul. E, embora tenha conseguido a simpatia de algums países associados e da Venezuela, em processo adiantado de adesão, os Estados Mercosurenhos parecem ainda não conseguirem estabelecer uma identidade própria para o bloco. E o motivo parece óbvio: muitos interesses e pouco consenso.

Mas um fato ocorrido essa semana pode ser a chave para a unificação dos países sul-americanos.

Estou falando da instalação das bases militares na Colômbia. Não vou me ater ao fato, pois isso já foi feito pelo companheiro Alcir, mas gostaria de comentar sobre a repercussão da notícia.

Para os que reclamavam da recente inação da política externa brasileira no caso das armas venezuelanas encontradas em poder das FARCs, pautada por uma atitude quase conivente por parte do Itamaraty, deve estar feliz com a decisão do Brasil de levar o caso da instalação das bases militares para o âmbito da UNASUL e do Conselho Sul-americano de Defesa, a fim de discutir o atual reforço da presença norte-americana na região.

O Palácio do Planalto chegou a advertir, essa semana, o general Jim Jones, assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, que a presença de militares americanos na Colômbia é um “resquício da Guerra Fria” e traz ameaças ao aprofundamento da relação Brasil-EUA (veja aqui). Aliás, o nome Jim Jones, me lembra um personagem feito por Chico Anísio há pelo menos 15 anos atrás chamado Tim Tones, grande exemplo de demagogo e que arrastava multidões de fiéis com suas pregações e explicações esdrúxulas. Será que eles realmente acham que a América do Sul vai acreditar que as tropas estadunidenses vão apenas se ocupar do narcotráfico?

Mas, o que a integração regional tem a ver com isso? Como sabemos, a UNASUL congrega 12 países da América do Sul e mais que a meta comercial, tem no horizonte um objetivo político: tornar-se uma voz a mais no plano internacional. Para isso, é preciso antes, provar que é capaz de resolver problemas regionais. A primeira mostra disso foi dada com a resolução da contenda entre Colômbia e Equador em março de 2008. A segunda, foi a visita do ministro Jobim para informar que a região agora tem seu próprio fórum de defesa e que podemos cuidar dela sozinhos.

Ora, isso me parece um pouco mais do que um arroubo de independência apenas. Identifico com ações potenciais. Por outro lado, de novo ele, Hugo Chávez, também vem construindo seu bloco regional declaradamente contra-norte-americano. E o que era antes visto como uma iniciativa vazia, tem angariado cada vez mais adeptos silenciosa e sorrateiramente…se é que com Chávez isso é possível!

De fato, pode-se perceber que a região, aos trancos e barrancos, tem encontrado um caminho de se estabelecer no Sistema Internacional. Tal iniciativa tem despertado a preocupação da potência do norte, que além de estar perdendo o controle do que acontece dentro da região que presumia ser o seu quintal, parece também estar ganhando um interlocutor, que diga-se de passagem, não é ou está muito alinhado com seus preceitos.



Categorias: Américas, Estados Unidos, Organizações Internacionais


3 comments
Adriana Suzart
Adriana Suzart

Caro Leo, É bom tê-lo de volta. Sentimos sua falta! Nossos debates costumam ser instigantes.Sim é verdade. É de se esperar, e é desejável que nossa identidade seja construída sobre interesses regionais comuns e ajuda mútua entre os países formadores do bloco (no caso, Unasul) ou do subcontinente (no caso, Latinoamericano). Penso também que ela não deva ser pautada na subserviência, dizendo amém a tudo que vem de fora (como as bases norte-americanas). E muito menos na repulsa gratuita a esse ou aquele país.Acredito que a nossa identidade deva ter como alicerce a autonomia e o pragmatismo, valores que aliás, norteiam a política externa brasileira, mas isso não quer dizer que identidade regional deva ter a cara do Brasil. Autonomia e pragamtismo nos garantem a prerrogativa de dizer o que queremos e o que não queremos sem ter que dar maiores satisfações a quem quer que seja. Ou não é assim que acontece com os EUA ou a União Europeia?Um Abraço!

Leo.
Leo.

Só um detalhe.Se devemos ter uma identidade comum ela deveria ser construira sobre interesses comuns e ajuda mútua.Ou uma "identidade" baseada num anti-americanismo meio simplório (e inofensivo para os próprios EUA)vai sustentar alguma coisa? Não sustenta nem relações cordatas com nossos governos vizinhos (vida Argentina e Bolívia que muitas atitudes descorteses já tiveram)

Dri Viaro
Dri Viaro

Oi, estou conhecendo seu blog, e quero lhe desejar uma boa semana.bjsssaguardo sua visita :)