Inocentes em Guantánamo?

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Inocência. Este pode ser (ou ter sido, pelo menos) o status de boa parte daqueles que foram presos em Guantánamo durante os anos de “luta anti-terrorista” promovida por George W. Bush (foto). Uma impactante declaração efetuada ontem pelo jornal britânico The Times traz novamente à pauta internacional a polêmica envolvendo o governo dos Estados Unidos e a prisão de Guantánamo.

Lawrence Wilkerson, assessor do ex-secretário de Estado norte-americano Colin Powell, foi o responsável pelo primeiro testemunho escrito de um alto funcionário da administração do antigo governo demonstrando a incerteza quanto ao status de “terrorista” de numerosos detidos na base naval à época (cronologia aqui). Este testemunho constitui parte de um processo contra a administração norte-americana por torturas.

Como pode ser lido aqui e também aqui com maior detalhamento, Wilkerson afirmou que o governo possuía informações certas de que a maioria dos 742 detidos enviados em 2002 para a prisão eram inocentes. Sua declaração envolve, ainda, a grave denúncia de que a maioria destes, então, inocentes foi “vendida” aos EUA por afegãos e paquistaneses ao custo de 5 mil dólares cada um. No mínimo polêmico, não?

Aliás, polêmica é o que não falta quando se trata de Guantánamo. Desde a criação da base naval norte-americana nesse território cubano (perpetuamente arrendado pelos EUA), a pressão pela transparência a respeito dos procedimentos desenvolvidos internamente é grande. As constantes suspeitas (e denúncias) a respeito de práticas de conduta norte-americana inadequadas no que tange os Direitos Humanos em geral constituíram fator determinante para a baixa popularidade de Bush ao final de seu mandato.

Assim que assumiu o poder, então, Obama prontamente assinou a ordem de fechamento da penitenciária, o que representou um ato simbólico de drástica ruptura com a política do governo anterior. O prazo assumido para a efetivação de tal fechamento foi de um ano a partir de então. (…) Sim, o prazo já expirou.

Aquele ímpeto inicial enfrentou a oposição generalizada dos legisladores norte-americanos quanto a aceitar a transferência dos presos para os Estados Unidos. É importante notar que Mike Hammer, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança dos EUA, reiterou recentemente que “o presidente está comprometido com o fechamento de Guantánamo”, mas não existe prazo certo para a efetivação de tal proposta…

Enquanto isso, alguns países vêm acolhendo prisioneiros da base naval, distribuindo assim, de certa forma, a responsabilidade por estes. Geórgia e Suíça, por exemplo, podem ser citados dentre os vários países que se dispuseram a receber estes prisioneiros.

Acompanhemos, pois, o desenrolar dos acontecimentos a respeito de Guantánamo, cujo fechamento foi uma das principais promessas eleitorais de Obama. “Yes, we can”? Bom, ao menos é o que se espera a esse respeito, especialmente em face de acusações tão graves como tais veiculadas pela mídia internacional nos últimos dias.


Categorias: Defesa, Estados Unidos, Paz, Polêmica, Segurança


1 comments
Anonymous
Anonymous

este é um problema grave de violaçao de direitos humanos, mas acho que fica relegado a um segundo plano com tantos abacaxis pro Obama descascar... quem sabe em um segundo mandato..