Inimigo de inimigo meu…

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Atualmente os Estados Unidos podem ser considerados como uma das maiores potências mundiais. Uma economia inflada, um poder militar inquestionável e elementos culturais que influenciam todo o mundo. Parece a fórmula de um Estado perfeito. Todavia, cabe lembrar, que Estados representam coletividades, ou seja, pessoas.

E, assim, tratando-se de pessoas no poder, aqueles com poder demais acabam por meter o bedelho em coisas demais e agrupar-se para conseguir mais poder e influência. O que, em termos de relações internacionais, significa expandir bastante seus interesses nacionais e palpitar em muitas questões e regiões do mundo, tendo papel essencial na definição de uma agenda internacional boa para os poderosos.

Aí começam a surgir alguns problemas. Aqueles que não estão satisfeitos com a agenda internacional podem tentar mudá-la pela via diplomática, lentamente visando incrustar outros valores – a exemplo do Brasil em sua política externa. Um processo bem lento e cansativo. Ou, se discordam demais da influência desses poderosos, podem bater de frente, correndo o risco de serem levados ao isolamento – como Irã, Coreia do Norte, Cuba e etc.

Nessa tentativa de fazer frente ao Tio Sam, o isolamento é um perigo real que pode levar os países a desistirem dessas políticas. É aí que muitos têm quebrado a cabeça para levar a cabo suas ideologias de oposição. Um interessante exemplo prático é o caso da Venezuela, que, devido aos discursos inflamados de Chávez, no campo militar, já não mais pode comprar aviões e armas de tecnologia estadunidense, tendo que se voltar para a Rússia.

Assim, Chávez tem, aos poucos, que tentar novas opções comerciais e estratégicas para lidar com isso. A América do Sul é uma delas. A facilidade se dá por alguns projetos integracionistas que existem, em âmbito político sul-americano, a Unasul, e em âmbito do cone sul, o Mercosul. Há ainda o projeto de iniciativa chavista, a Alba.

E, recentemente, podemos observar outra forma que esses países utilizam para lidar com isso. Uma velha premissa, que tem muita validade através da história. O famoso, “inimigo de inimigo meu é meu amigo”, que foi levada às últimas consequências pela Venezuela durante essa semana, em visita de Hugo Chávez ao Irã. Acordos comerciais, energéticos e promessas de antimperialismo. Tudo sem esquecer das retóricas de Chávez e de Ahmadnejad.

Com acordos de fornecimento de energia ao Irã, a Venezuela rompeu com as novas sanções aprovadas pela ONU e deve estar preparada para as consequências. Dia após dia as relações internacionais nos fornecem importantes pistas sobre as formas que os Estados tentam lidar com a agenda internacional e com as potências. Esse método já é antigo e bem conhecido. Agora quais os objetivos visados e se funciona ou não, a história é outra.


Categorias: Américas


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