Impacto Internacional

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Fonte: Anonymous/Brasil


Impossível não falar ou comentar sobre a onda de manifestações, protestos e atividades levada às ruas brasileiras na última semana. Indo direto ao assunto, o objetivo desse texto é reunir alguns pontos de vista de jornais internacionais com o intuito de observar como as mídias estrangeiras estão noticiando os últimos acontecimentos aqui no Brasil. Obviamente, o foco é o movimento de ontem (20/06). 

No francês “Le Monde”, uma das notícias mais acessadas e com o maior número de “curtidas” no Facebook versa exatamente sobre as manifestações que reuniram mais de 1 milhão de pessoas nas ruas. O jornal destacou os números em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Obviamente, colocou na manchete a fatalidade que ocorreu com um jovem atropelado em Ribeirão Preto. Citaram-se fontes da “Folha de São Paulo” e, por fim, alertou para o tamanho do movimento dizendo que a presidente Dilma Rousseff cancelou sua viagem para o Japão previamente marcada para o próximo dia 26 de Julho. 

O “Al Jazeera”, jornal da maior emissora de televisão do Quatar, destaca o fato de Dilma ter se reunido, em caráter de emergência, com ministros de Estado. Mostrando entender bem mais do assunto do que muitos brasileiros, o periódico enfatizou na primeira frase da reportagem que os protestos aumentaram de tamanho em virtude da falta de qualidade dos serviços públicos e dos altos custos com a Copa do Mundo de 2014. Ao final, noticiam que nem mesmo o Governo do Brasil está entendendo o movimento… 

O muito conhecido “The New York Times”, em matéria intitulada “Despertar social no Brasil”, afirmou que a onda de protestos em nossas ruas não é motivo de surpresa. Mesmo mencionando a relevância da existência de um regime democrático aliado a um crescimento econômico razoável, disse não haver uma lógica entre discurso político e o dia-a-dia da população. Termina dizendo, mesmo de forma indireta, que Dilma terá que rever alguns conceitos para conseguir a reeleição do Partido dos Trabalhadores (PT) no mais alto escalão do poder executivo. 

No liberal “The Economist”, o artigo mais recomendado e popular é o “Protests in Brazil: the streets erupt”. Interessante que o jornal cita o Movimento Passe Livre (MPL) e o coloca como um grupo radical com uma visão irrealista sobre o transporte público (!!!). Observou, ainda, que muitos protestos ocorreram de forma pacífica. Ademais, disse que os movimentos de rua vivenciados pela Grã-Bretanha, França, Turquia e Suécia nos últimos dias/meses são diferentes do Brasil, pois este último é uma democracia estável e vem crescendo economicamente. 

Por sua vez, o espanhol “El País” colocou como destaque da sua seção “América” a matéria sobre o que pode ser o maior protesto da história brasileira. Focou o episódio trágico da tentativa de invasão e depredação do Palácio do Itamaraty, em Brasília. De tal sorte, pontuou sobre as ondas de aversão a partidos de esquerda no cerne das manifestações e colocou algumas perguntas-chave para saber qual será o futuro do Movimento Passe Libre (MPL). Talvez ninguém saiba… 

Outro inglês, o “The Guardian”, estima em 2 milhões o número de brasileiros nas ruas no dia de ontem. Traz uma visão mais interna dos protestos, pois cita frases de manifestantes e participantes do movimento. Para refletir, fica essa citação: “Victor Bezerra, a law student, said the police action was like something from the dictatorship era. ‘These are bad days for Brazil. The police were acting just like they did 30 years ago.’” 

O argentino “Clarín” coloca na manchete a frase “Crise Brasileira”. Focou na hostilização de manifestantes de esquerda (PSTU, PSOL e UNE) e, ao contrário dos outros jornais, noticiou protestos que ocorreram, também, em Manaus (AM), onde se reuniram cerca de 60 mil manifestantes e não ocorreu um único momento de tensão, tudo foi encaminhado de forma pacífica. 

Essas foram algumas das principais notícias ao redor do mundo. É claro que existem outros inúmeros jornais, mas os comentados acima refletem um pouco sobre o impacto internacional do Brasil nos últimos dias. O resumo da ópera parece se resumir deste modo: todo mundo sabe o porquê das manifestações terem começado, mas ninguém tem ideia de quais serão seus resultados a curto, médio e longo prazos.


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