Imagens

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Dizem que atualmente vivemos em mundo das aparências. Um mundo no qual, o simples parecer ser é suficiente para satisfazer muitas pessoas e fazê-las dedicar dias na construção dessa imagem. No campo da política, diria que vivemos situação similar, um mundo das imagens.

Imagens que variam de construções que os países fazem de si mesmos para os demais, de si mesmos para sua própria população e visões que representam entendimentos dos acontecimentos do mundo (o Luis Felipe escreveu um interessante post que trata um pouco desse tipo de imagem).

No geral, essas imagens forjadas são capazes de enganar muitos Estados e tendem a perdurar por muitos anos. Exemplos são inúmeros. O Brasil seria hoje uma democracia racial, mas basta um olhar mais atento no preconceito que emerge no dia a dia do país para averiguar que não é bem por aí, que se trata de um racismo brando, indireto. Os EUA estariam levando a democracia para países do Oriente Médio, todavia, um olhar mais acurado pode mostrar que há uma malha de interesses envolvida, para além desse discurso cosmopolita.

E aos poucos as imagens vão se revelando e aquele preconceito ou aqueles interesses, que estavam bem escondidos, vão aflorando. O nosso Tio Sam enfrenta, atualmente, um interessante caso desse tipo. O prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, propôs que fosse construído um centro comunitário islâmico há algumas quadras do que os estadunidenses chamam de marco zero – onde se localizava o World Trade Center.

A simples proposta foi suficiente para que a imagem de democracia e igualdade se desconstruísse, dando lugar a sentimentos de xenofobia e preconceito. A oposição defendeu que se mudasse o lugar de construção do prédio e, famílias das vítimas dos atentados clamaram que se tratava de um desrespeito à memória dos falecidos.

Mas que desrespeito seria esse, senão dos próprios estadunidenses frente aos praticantes da religião islâmica? Assim como ocorre com a radicalização em qualquer religião, aquela visão apaixonada que impede de se olhar o mundo mais racionalmente e dá lugar a preconceitos e assimilações errôneas também ocorre com muitos estadunidenses (aos que gostam de cinema, o filme “O Jogo da Morte” explora bem essa temática).

Na política, é importante que as imagens se construam e desconstruam, porque só assim as sociedades podem ver os preconceitos, racismos e xenofobias ocultos, e visar realmente a construção não só de uma nova imagem, mas de alguns novos valores.


Categorias: Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Política e Política Externa


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