Post do Leitor

Ideias que transcendem fronteiras [Post 7]

[Damos prosseguimento à série “Ideias que transcendem fronteiras”, com textos de autoria da leitora Tamiris Hilário de Lima Batista, graduada em Relações Internacionais pela UNESP – Campus Franca. Este sétimo post relaciona a incipiente juventude global, as novas mídias sociais e a “economia criativa”. Aproveitem a leitura!] 

Sobre nós: economia criativa 


Foram criadas, há muito, categorias geracionais em que “estereótipos” nomeariam a essência de cada época. Em realidade, teriam sido desenvolvidas para mapear tendências de comportamento e consumo (mais aqui). Cá nos importa saber que precedida pela “juventude libertária” (1940-1950) e pela “juventude competitiva” (1960-1970), a “juventude global” é o rosto da nova economia

Talvez porque, hoje, 2.3 bilhões de jovens estejam no topo da pirâmide de consumidores e potenciais influenciadores de consumo, fazendo dessa a geração com maior poder de compra da história. Mais que números, são também considerados catalisadores de grandes mudanças e representantes de novas linguagens e comportamentos. Devoradores de outros tipos de capital (sobretudo o cognitivo), a maneira como se relacionam passa a testar os limites e a promover o alargamento da visão econômica tradicional. Estamos a falar dos porta-vozes de um movimento mais expressivo, colaborativo e consciente, dos insaciáveis e provocadores embaixadores da economia criativa

Diferente das demais gerações, estes jovens têm agora uma importante aliada em sua jornada: a Internet – que não significaria apenas a vida em rede, mas também a aquisição de um alto volume de conteúdo, bens, serviços e de pessoas em constante e pulsante circulação. É a partir dela que as perspectivas de tempo e espaço se alteram, fazendo com que local e global nunca estivessem tão próximos e que individual e coletivo caminhassem tão juntos. Tudo isso (e muito, muito mais!), requer habilidades distintas de gerenciamento, resultando em novos cenários para que possam performar de forma autônoma, livre, colaborativa. E, se possível, com doses diárias e cavalares de amor, prazer e diversão. Vale lembrar que “[…] estamos falando da geração de jovens mais plural da história”. [1] (mais aqui

Daí é que nascem as redes sociais (em amplo sentido), os empreendedorismos da vida, o open source, o crowdsourcing, o e-commerce, o creative commons… e a economia criativa. Direta e intimamente ligada aos “Y”, “We”, “Millenials”… sua força motriz vem dos cérebros (e dos corações) daqueles que põem ao chão o velho sistema de trabalho aos moldes fabris, e optam por se utilizar de matérias primas aparentemente corriqueiras, mas inesgotáveis, como as ideias, os sentimentos, a imaginação e o sonho o são. 

Segundo o inglês John Howkins, a economia criativa integraria às atividades e aos processos que envolvam criação, produção e distribuição de produtos e serviços, cujos recursos têm por base capital cognitivo. [2] Estaria, assim, despertando cada vez mais o interesse dos setores público e privado, uma vez que viabilizaria negócios e atividades menos predatórias que as vigentes, valorizaria questões sociais e culturais, além de sua alta capacidade em estimular crescimento econômico – mais equilibrado e, portanto, sustentável. 

Na época do “seguir”, do “compartilhar” e do “curtir” perspectivas hackeiam a “economia-arroz-com-feijão”. Uma vez que as dimensões materiais e simbólicas se integram, teríamos algo inédito no mundo. O consumo globalizado sob diretrizes mais criativas se transformaria num promotor de conexões sociais. Mais que isso, teríamos caminhos mais éticos e humanos. 

[1] We all Want to be Young. Disponível aqui

[2] Economia Criativa. Disponível aqui.


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