Post do Leitor

Ideias que transcendem fronteiras [Post 5]

[E damos continuidade à série de postagens “Ideias que transcendem fronteiras”, com textos de autoria da leitora Tamiris Hilário de Lima Batista, graduada em Relações Internacionais pela UNESP – Campus Franca. Este quinto post analisa a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, ou seja, debate o que será colocado em questão na Rio+20 (que começa HOJE!) e vai mais além…!] 

Prato do dia: economia (verde) 



Estamos na Rio +20, a conferência internacional que, em grosso modo, buscará pela articulação entre crescimento econômico, inclusão social e meio ambiente – embora haja quem diga que “o buraco é mais embaixo”. Apesar de ser essencialmente voltada ao meio ambiente, terá a economia como um dos (senão o) pratos principais. Sim, por que para saborear a causa ambiental, deve-se por à prova o “indigesto” sistema econômico vigente. 

O “cardápio econômico” tem lá suas variedades: economia de escala, de guerra, de mercado, doméstica, popular, social, livre, política, rural, criativa…! Nos últimos anos, uma opção deste menu – talvez, hoje, a mais cara delas – passou a saltar aos olhos dos representantes políticos, dos organismos multilaterais e da sociedade civil: a economia verde* – da qual sabemos apenas que seu ingrediente basilar seria o entendimento da economia como um subsistema do ambiente natural. ** 

Para além de Rio +20, o peso do tema se dá pela compreensão comum das trocas financeiras não mais como condimento único à sobrevivência das economias do mundo. É, então, que se torna insustentável nos nortearmos somente pelo que é expresso por indicadores econômicos, uma vez que desconsideram elementos fundamentais às novas – já não tão novas assim – demandas. Interessa-nos saber que cada vez mais são adotadas vias alternativas para complementar e/ou superar aos existentes – é o caso do Better Life Index, do Gross National Happiness, do Happy Planet Index (mais exemplos aqui). Mais recentemente, do PIB verde e das contas econômico-ambientais. (entenda mais aqui e aqui

Os pioneiros a esse respeito são Costa Rica, Colômbia, Filipinas, Botsuana e Madagascar. Mas não é só coisa dos pequeninos. A Índia tem buscado estimar economicamente sua biodiversidade e, na China, a métrica sustentável possui cinco componentes – qualidade econômica, qualidade social, qualidade ambiental, qualidade de vida e qualidade de gestão – que estariam de acordo com as metas assumidas na COP15. É claro que isso não faz do gigante vermelho, verde. Os exemplos nos mostram, contudo, que quaisquer economias podem (e devem) buscar diálogo junto à sustentabilidade. ***

Que esperar da Rio +20, então? 

Quanto à economia verde, há ainda um descompasso conceitual entre as partes, assombrando ao evento, que nos torna vulneráveis a apropriação indevida das “expressões verdes” – o que seria nada mais que “o lado verde da força”, a encobrir a falência da economia e dando sobrevida a mesma –, comprometendo quaisquer ações a serem definidas desde a gênese. 

Vinte anos passados da Eco92, as expectativas seriam ainda por ponderações mais concretas, voltadas ao “como fazer”. Tendo-se em vista o Zero Draft, possivelmente isso não acontecerá. Nos próximos dias os nobres delegados estarão empenhados em pensar sobre o futuro que queremos – ironicamente, em apenas três dias de evento – e a questão ambiental lhes parece ser tão “enfadonha”, que talvez caiba a nós repensar os limites do atual sistema econômico mundial (o tão “perverso” capitalismo) em consonância aos limites do planeta. E então poderemos agir sobre o futuro que teremos

*: Nem mesmo a Organização das Nações Unidas apresenta considerações consistentes e aceitas consensualmente pela comunidade internacional. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a economia verde é aquela voltada a melhoria do bem-estar humano e da igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente os riscos ambientais e a escassez ecológica. 

**: HERRERO, Thaís. De que economia estamos falando?. Página 22: informação para o novo século. FGV. abr 2012. p. 28 

***: Inspirado no gigante, o Brasil caminha neste sentido através da lei 2900/11, ainda em trâmite.


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