Ibero-américa: um conceito em perspectiva

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Ibero-américa. Eis um conceito muitas vezes difundido, porém pouco analisado em sua essência. Objetivamente, a Ibero-américa pode ser definida, em termos gerais, como o agrupamento de todos os países latino-americanos somados à Espanha e a Portugal. Duas línguas principais (o português e o espanhol), aliadas a uma multiplicidade de tradições culturais, expressões e pensamentos distintos – e, ao mesmo tempo, complementares – caracterizam um conceito em diária construção.

Aliás, pensar na complementaridade a partir das diferenças talvez seja a grande promessa para o fortalecimento da idéia de um bloco ibero-americano neste século. Bloco de proporções gigantescas: 400 milhões de pessoas em extensos 18 milhões de km². O diálogo sobre o que une estes países (e também sobre o que os separa) deve ser o ponto de partida para qualquer análise neste sentido.

Desafios comuns, histórias de evolução compartilhadas e perspectivas de desenvolvimento acelerado marcam este momento social ibero-americano. Contudo, em termos econômicos, a crise financeira que assola fortemente os representantes europeus deste bloco vem a sugerir uma inversão em relação ao status quo das (já longínquas) eras de colonização. A América Latina – e notadamente o Brasil neste contexto – concentra as atenções e os investimentos no atual momento mundial de profundas transformações. Mas será que estamos efetivamente preparados para exportar modelos de gestão?

O multilateralismo parece ser a chave para a superação: soluções globais para problemas também globais. Entretanto, será mesmo que temos as ferramentas para “globalizar” as ações de uma forma coordenada entre os representantes da chamada Ibero-américa? Será que cada um dos países (dos menores aos mais expressivos) estão preparados para lidar com as diferenças e igualdades e promover políticas de integração comuns que promovam benefícios coletivos?

E neste ponto nos deparamos com uma reflexão interessante. Visualizar a Ibero-américa como um “conceito em perspectiva” parece a forma mais adequada de incentivar essa discussão. Perspectiva de longo prazo? Perspectiva de fortalecimento? Perspectiva de questionamento? Muitas são as possibilidades de análise…

Esperemos, com otimismo, que estejamos trabalhando em uma perspectiva de amadurecimento das idéias por parte dos próprios ibero-americanos (todos nós!) a respeito do desenvolvimento internacional cooperativo para que se possa, gradativamente, aprofundar os laços não apenas históricos, mas também sociais, econômicos e políticos entre todos os integrantes deste rico e peculiar agrupamento de países.


Categorias: Américas, Europa, Política e Política Externa


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