Há um ano...

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Pessoal, tivemos que mover essa seção para as quartas-feiras agora para adaptarmo-nos à disponibilidade de nossos colaboradores.


Bom, essa será minha primeira vez em realizar esse exercício de memórias, na tentativa de relembrar a agenda internacional do ano passado. Agenda essa, que parece não ter se modificado muito do último ano para cá. E por falar de constâncias e mudanças, foi justamente sobre isso que tratou o post do Alcir há exatamente um ano.


Em seu texto, foram nomeados com maestria cinco assuntos que se repetiam com certa regularidade no blog e, portanto perfaziam a agenda internacional daquele tempo. Caberia então um exercício de observar e comparar o que se manteve, o que se desenvolveu, o que deixou os discursos dos estadistas e o que deixou a mídia, mas ainda tem grande relevância (denotando mais uma vez aquela conhecido história da seletividade de notícias).


Bom, o primeiro dos tópicos é referente ao polêmico país dos aiatolás, aquele palco de inúmeras reviravoltas históricas e representado por um líder assaz peculiar. Sim, esse mesmo, o Irã. Atualmente o país ainda continua nos discursos dos estadistas, na mídia e essa história toda se desenvolveu bastante. A presença de forças agindo em todas as direções para a limitação de seu programa nuclear e aplicação de nova rodada de sansões contra o país pode ser apontada como uma dessas razões.


É interessante notar a constância da posição brasileira sobre o país. Hoje, pode-se dizer que o Brasil é porta-voz do grupo d0s poucos (como Turquia e China) que defendem com irrevogável convicção a possibilidade do país desenvolver energia atômica para fins pacíficos, e por isso sua posição é questionada no cenário mundial. Os interesses econômicos do Brasil no Irã já são de longa data, com fortes investimentos da Petrobrás na região e por isso sua posição de dito pragmatismo.


Há um ano, o Brasil era questionado exatamente por essa aproximação com o país persa, em tempos que o irado Ahmadnejad (Madine para os íntimos) proferiu o polêmico discurso negando o holocausto na Assembléia Geral das Nações Unidas. Falava-se, questionava-se e criticava-se a vinda do líder iraniano ao Brasil, que fora temporariamente cancelada frente às eleições no país. Se fora por eleições ou por pressões internacionais, a tal da visita realmente aconteceu e teve até direito a retribuição do presidente Lula. E Madine reelegeu-se para causar mais discórdia no cenário internacional.


Agora quanto à questão da tortura. A acusação centrava-se no entendimento de Obama estar abafando os casos ocorridos durante o governo Bush. E o resultado disso tudo? Uma pizza tamanho família. Toda vez que a questão de tortura e anistia vêm à tona no cenário interno de um país as questões são abordadas com um cuidado ímpar e na maioria das vezes se opta por deixar o passado para trás e recomeçar.


Seria o mais prudente? Não necessariamente, mas o discurso é de que se busca evitar um conflito social de maiores proporções. Vide o recente caso da revisão da Lei de Anistia (por sinal, muito bem abordado pelo Álvaro em seu post). Mas nem todos os casos acabam dessa maneira, basta olhar para a forma como os casos na Argentina se desenrolaram, com a aplicação de pena aos oficiais da ditadura que praticavam esses atos. Assim pode-se averiguar que com um pouco mais de esforço e pressões tanto do governo e da sociedade civil as coisas até acontecem.


E quanto ao caso das Coreias? Muita água rolou, mas hoje se fala pouco no assunto. E a tal da guerra em razão da adesão da Coreia do Sul à Iniciativa de Segurança contra a Proliferação (PSI – sigla em inglês) felizmente não ocorreu. Mas as tensões continuaram a crescer e a região ainda tem aquele caráter de paz à sombra de conflitos.


Outro relevante caso apontado é o do Paquistão. O que mudou desde então? Progressivamente o Estado tem perdido o monopólio da violência legítima que o caracteriza e cada vez mais grupos como o Talibã, agindo no plano da ilegalidade têm demonstrado mais poder que o próprio governo central. A questão complicou-se com o passar de 2009 e hoje continua a repetir-se nos noticiários com constantes casos de mortes, explosões e atentados (para mais posts sobre o assunto clique aqui). Pouco se lê sobre isso nos discursos dos estadistas, mas a questão ainda é crítica.


Quanto às ditas ambições do Brasil de Amorim na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)? Mero fogo de palha. As eleições ocorreram e nada passou de discurso do nosso caro presidente Lula. Mas as ambições brasileiras em organizações internacionais e hoje até se fala de Lula para Secretário-Geral da ONU (para saber mais sobre o assunto, clique aqui). A dita projeção do Brasil no plano internacional ainda continua aí, com certas incongruências aqui e posicionamentos estranhos acolá, mas pelo menos no discurso está firme e forte.


Apesar desse sufocante volume de informações, exercícios como esse são interessantes para ver o quanto assuntos que parecem sumir rapidamente dos noticiários se desenvolvem no âmbito da política internacional ou o quanto temas polêmicos avançam ano a ano. Assim, vemos se o mundo dá tantas voltas como pensamos ou se às vezes as voltas são mais vagarosas do que se pensa.


E para não perder o costume da saudação final que já é de praxe: É isso aí. Postando e relembrando!


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