Há um ano...

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Dois temas interessantes foram tratados na Página Internacional há um ano. Mais uma vez, continuam atuais ou tiveram viradas que então eram de difícil previsão.

 

 

Primeiro, o tema era o Egito. Morsi preparava-se para começar sua trajetória como líder da transição democrática no país. Enquanto isto, a Junta Militar ainda comandava um governo transitório. Tratávamos da lentidão para lograr avanços significativos e dos desafios de um governo ainda sem Constituição.

 

Desde então, uma nova Constituição foi discutida e aprovada. Porém, ao contrário de servir como consagração de direitos essenciais à transição, terminou como alvo de protestos contra a limitação das vozes dissidentes ou minoritárias. Protestos que escalaram. No final das contas, o Egito viu seu presidente democraticamente eleito deposto e um novo governo transitório instalado, novamente pelas mãos dos militares.

 

Fica uma importante questão por responder. Qual o futuro da Irmandade Muçulmana? Vai participar das próximas eleições – considerando que será feita uma nova passagem à democracia – e poderia governar em caso de uma nova vitória nas urnas? Caso não, como ficaria os que se sentem representados por este grupo? Um outro grupo islamista, formado por salafistas, que apoiou a manobra política contra Morsi, recuou no apoio à “reinvenção” da revolução.

O segundo tema, longe de apresentar grandes mudanças de rumo, segue seu rumo com avanços alternados entre os grupos em batalha. Em julho de 2012, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovava o prolongamento de uma missão de observação na Síria. Seu trabalho foi finalizado em agosto do mesmo ano. Em sequência, a mesma organização internacional estabeleceu uma investigação sobre o uso de armas químicas. Não parecem restar muitas dúvidas que houve utilização em alguma escala, incluindo relatos jornalísticos in loco.

 

Os rebeldes, em determinado momento, pareciam próximos da vitória. Logo, contudo, o governo redobrou esforços para retomar pontos estratégicos, com ajuda de seus aliados. No momento, a clivagem entre rebeldes e governo favorece as forças oficiais, uma vez que os primeiros dividem sua influência e territórios controlados de maneira fragmentada. Missão vai, missão vem, mas tudo parece seguir na mesma quando falamos das vítimas de guerra e dos deslocamentos forçados de sírios rumo a qualquer lugar minimamente seguro.

É isso aí, seguimos postando e relembrando.


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