Há um ano...

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Há exatamente um ano, não houve postagens aqui no blog. Mas naquela semana de julho de 2009 iniciava-se uma discussão que iria estender-se por muito tempo, rendendo muito pano para manga e que vale a pena ser lembrada: a questão do golpe de Estado em Honduras. Então, hoje teremos a seção “Há um pouco mais de um ano” ao invés de “há exatamente um ano”.

Há um pouco mais de um ano, o grande questionamento na mídia internacional e dos próprios especialistas e comentadores, era se o governo hondurenho havia sofrido um golpe de Estado ou se era possível classificar o que os militares, liderados por Roberto Micheletti, realizaram como apenas uma manobra prevista pela constituição. O post da Adriana respondendo a esse questionamento de um leitor gerou uma discussão até que bem acalorada (clique aqui para rever).

Bom, atualmente, apesar de ter menos repercussão do que há um ano, a questão hondurenha ainda gera certa controversa no plano internacional. Aparentemente, a questão já fora resolvida com a condução das eleições no país e a escolha de um novo presidente, Porfírio Lobo. A solução adotada mais pareceu uma forma de jogar a sujeira para debaixo do tapete – fingir que nada aconteceu para que se desse seguimento à política do país – do que realmente um curso de ação que trouxesse certa estabilidade. Ao final das contas, as baixas foram um presidente de direito exilado, Honduras suspensa da OEA e diversos países da América Latina recusando-se a manter suas relações diplomáticas com o governo hondurenho.

Apesar de estar determinado pela própria constituição hondurenha que não seria possível alterá-la com o intuito de se manter por mais tempo no poder, invadir a residência de um presidente e retirá-lo ainda em seus pijamas, não pode ser considerado em lugar algum como algo democrático ou legal. De toda forma, ainda hoje, pouco mais de um ano depois, são sentidos os efeitos dessa crise política. Haja visto os esforços da OEA em reintegrar Honduras à organização e, paralelamente, os de Lobo em mostrar que o país restabeleceu a ordem democrática, tentando fazer com que Zelaya retorne a país de seu exílio. O presidente deposto ainda continua a reviver os fantasmas desse golpe, tentando (em vão) encontrar um outro responsável pelo resultado desses eventos.

Achei interessante relembrar esse post em específico dada a repercussão do caso, e por ser considerado o início de discussões que se estenderiam por muitos meses. E ao final das contas, a crise política em Honduras também consolidou-se como um caso peculiar na história da política internacional que merece ser lembrado.

É isso aí pessoal, postando e relembrando.


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