Há um ano...

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E estamos de volta com as gloriosas retrospectivas do que se passava há um ano. Tempo vai, tempo vem, e ainda me surpreendo com o volume de acontecimentos que são passíveis de repetição. A coincidência é tanta que precisa ser registrada.

Há exatamente um ano, o Alcir escreveu um interessante e cômico texto sobre as medidas protecionistas que a Argentina impôs sobre as importações de calçados chineses. Ao final das contas, o Brasil acabou louvando a Argentina por usar contra a China a mesma arma, o protecionismo.

Alguns poderiam prever, na época, que esse episódio marcou o final dos protecionismos argentinos e a grande vitória comercial do Mercosul. Muito pelo contrário, a Argentina ainda utilizou-se muito dessa ferramenta – principalmente com produtos brasileiros do setor alimentício – e o Brasil hoje talvez se arrependa de algum dia ter sentido complacência pela prática.

Mas quem poderia prever que o assunto mais polêmico daquela semana viria a se repetir um ano depois com repercussões mais profundas. O post da Adriana abordou um capítulo interessante da série de desventuras entre Colômbia e Venezuela. Naquela semana Uribe havia acusado Chávez de envolvimento com as FARC, bem na ocasião em que os demais países da América do Sul posicionavam-se contra a instalação das novas bases militares estadunidenses na Colômbia.

E hoje, um ano depois, o assunto do momento é o rompimento das relações diplomáticas entre Colômbia e Venezuela, dado o acirramento das acusações colombianas e desses atritos bilaterais. Na realidade, o tempo garantiu-nos bases suficientes para mostrar o quanto esse argumento – seja ele real ou fictício – foi e ainda é usado instrumentalmente em momentos estratégicos. Essa última acusação, por exemplo, pareceu uma cartada final de Uribe antes da entrada de um governo que promete mudanças nas relações regionais.

Exercícios como esse comprovam o quão lento são os progressos e mudanças. E, portanto, creio que não se podem esperar grandes mudanças imediatas também com qualquer novo governo colombiano. Tudo é parte de um lento e gradual processo chamado política internacional. É isso aí pessoal, postando, refletindo e relembrando!


Categorias: Américas, Há um ano...


2 comments
Raphael Lima
Raphael Lima

De fato, a foto tem até um caráter cômico bem interessante. Que, se pensarmos bem, expressa um pouco a característica das relações Uribe-Cháve: acusações constantes, desconfortos e um quebra-pau que as vezes, até gera certo grau de comicidade. Mas acredito que a relação Venezuela-Colômbia ainda terá muitos episódios, e que mesmo Santos, com sua proposta autônoma, enfrentará interessantes percalços. É difícil mudar padrões de desenvolvimentos históricos conflituosos. E Uribe tentou agravar ainda mais a questão passando a bomba para seu sucessor.Abraços

Mário Machado
Mário Machado

Três pontos rápidos:Inevitável não lembrar da imagem do petroleiro usada por Obama, ao se referir a política externa. Candidatos (não só aqui) tratam mudanças de rumo em PE como se essa fosse um caça.A cara de desconforto do Uribe nessa foto é hilária.E o olhar aparentemente cético (posso estar projetando) do Libertador assistindo o abraço compõem muito bem o cenário.Abs,