Há um ano...

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Como é de costume, vamos dedicar o texto de hoje à nossa breve reflexão dos fatos e discussões de um ano atrás que têm seus reflexos até hoje. Três textos se destacaram naquele período.

O Oriente Médio e arredores sempre dão o que falar. Está sendo assim em 2011, bem como foi em 2010. Há um ano, em postagem do Giovanni, comentava-se a corrida armamentista na região, e como as aspirações nucleares do Irã alimentaram o aumento ímpar dos gastos em Defesa de seus vizinhos como Arábia Saudita e Israel. Paradoxalmente, o resultado era inerte: prosseguia o enriquecimento, a reclamação da comunidade internacional e o temor na região. Nada mais atual e apropriado para relacionar-se aos fatos recentes das agitações no norte da África, que a depender dos seus resultados políticos (leia-se: subida ao poder de radicais islâmicos) podem vir a aumentar o temor de Israel/Irã e dar continuidade a (ou mesmo aprofundar) esse ciclo do “dilema de segurança”.

A região é uma dor de cabeça constante para os EUA, assim como a questão econômica era, de maneira mais acentuada, no início de 2010. À época, postagem da Andrea discutia o excesso de conversa e falta de ação no caso da regulamentação bancária. Aquele velho dilema entre a necessidade de organizar o sistema financeiro e a manutenção da liberdade dos bancos. Ainda hoje, com a crise (ou ao menos seu momento mais crítico) superada, essas conversações acabaram esvaziadas. Houve algumas medidas de regulamentação interna, como nos EUA, e no âmbito internacional saíram algumas decisões vagas (como sempre), a exemplo da declaração do Comitê da Basiléia (reunião dos mais importantes Bancos Centrais do mundo) ao G-20, com diretrizes e sugestões para evitar e abafar crises como a de 2008-2010. Nada de concreto, e vamos tocando o sistema financeiro como sempre.

Por fim, em contribuição do leitor Danilo Guiral Bassi, comentava-se a comemoração dupla no México do bicentenário de sua independência e o centenário da Revolução Mexicana. De fato, um marco histórico, que refletia a intrigante questão partidária mexicana (dominada pelo PRI por 70 anos e atualmente devidamente pluralizada). Contudo, além da política, se há algo que podemos refletir acerca dos eventos comemorados seriam seus aspectos sociais. A Revolução Mexicana foi um marco social, notavelmente em termos constituintes. É triste constatar como, 100 anos depois, a soma de má administração a degradação econômica resultaram no relativo caos em que o país se encontra. Apenas neste fim de semana houve 17 mortes ligadas ao narcotráfico. A firme resposta do governo contra o crime é antagonizada por corrupção, falta de confiança nas forças de segurança e o poderio dos cartéis. Certamente, uma situação inimaginável e um destino que nunca teriam esperado para seu país os protagonistas da revolução de 100 anos atrás.

E continuamos pessoal, postando e relembrando…


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