Há um ano...

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O desastre ambiental no Japão somado as danos ocasionados à usina nuclear de Fukushima criaram um grande debate com relação aos riscos da energia nuclear. De um lado, existem aqueles que defendem a ampliação do uso de fontes renováveis na matriz energética internacional, o que diminuiria o risco da utilização de mecanismos que possam lesar o meio ambiente ou a saúde humana. No lado oposto estão os especialistas que defendem a manutenção da diversidade de fontes energéticas, incluindo a nuclear. Afinal, o que aconteceria nos dias em que o vento não sopre como o usual? De acordo com as estimativas deste grupo, as fontes renováveis podem representar entre 20% e 30% da matriz energética internacional, o que as deixaria longe de ser a solução perfeita.

Contudo, há outro debate com relação ao uso da energia nuclear: as armas que se podem produzir a partir da mesma. Raphael tratava em seu post das negociações entre Estados Unidos e Rússia para a redução de seus arsenais nucleares. Na verdade, foi a renovação de um tratado firmado na década de 1990. Em abril de 2010, Obama e Medvedev confirmaram a expectativa e acertaram os últimos detalhes do acordo. Para Obama, as duas maiores potências nucleares (detentoras de 95% da totalidade de tais armamentos) sinalizavam a intenção de liderar pelo exemplo em temas de desarmamento, ao mesmo tempo em que representava um argumento incisivo para pressionar outros países a repensarem suas ambições nucleares.

Uma das razões que levaram Obama a ser laureado com o Nobel da Paz foi justamente o seu compromisso de diminuir os estoques de armamento nuclear e atuar no sentido de fortalecer as perspectivas de paz mundial. Nada além de um compromisso, não necessariamente seguido por ações efetivas neste sentido. Ainda temos um longo caminho a seguir, críticos questionam os reais números da redução que são apregoados pelas potências mundiais. Mesmo uma significativa diminuição deve representar pouco, uma vez que as ogivas restantes são mais que suficientes para a aniquilação do mundo. Será que existe algum país altruísta a ponto de abrir mão de seu arsenal nuclear? Como parece que não, países como Irã e Coréia do Norte seguem com o discurso “se eles têm, por que eu não posso ter”?

Poucos são os indícios que os novos acordos firmados possam aproximar o mundo do objetivo final. Como afirma o Giovanni em seu último post: “se a política internacional fosse a arena do altruísmo, o mundo seria perfeito”. O mesmo vale para o armamento nuclear. O perigo imanente da energia nuclear deixa uma mensagem importante. Se um mero acidente em uma usina pode gerar tanto receio e perigo em uma comunidade, imaginem um ataque nuclear preparado por uma potência detentora de tal tecnologia. Um marco simbólico do poder norte-americano foi o ataque final ao Japão na Segunda Guerra Mundial através das bombas nucleares lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Desde então, não foram mais vistos ataques desta natureza. Que caminho seguimos, um mundo sem armas nucleares ou a destruição total? Será suficiente o precedente do acidente em Fukushima para os líderes mundiais abrirem mão de seus arsenais nucleares? Tudo indica que não, afinal a política internacional ainda não se tornou a arena do altruísmo.


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