Há um ano...

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Há um ano, o cenário internacional não se encontrava tão agitado como neste momento de 2011, em que nos vemos cercados de polêmicas diversas, tais como a morte de Bin Laden, a prisão do chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) por abuso sexual e a declaração de prisão de Kadafi, o ditador líbio, por parte do Tribunal Penal Internacional acusado de crimes contra a humanidade. Relembremos alguns fatos, pois.

Por falar em FMI, há um ano a Grécia estava recebendo um pacote financeiro de ajuda internacional por conta de suas dificuldades internas ainda em conseqüência da crise mundial. Este ano, Portugal é que está vivendo situação muito similar, tendo sido aprovado ontem um plano de resgate para o país a partir de recursos do FMI em conjunto com a União Européia. Passam os anos, mas a União Européia permanece com suas grandes desigualdades, sendo que o receio é que a “crise grega” do ano passado possa “contagiar”, de alguma forma, o conjunto da Zona do Euro.

Também é válido destacar que, neste período do ano passado, Obama estava entre “dengos e afagos” com o presidente afegão Hamid Karzai na Casa Branca. E eis que, aproximadamente um ano depois, Obama se vangloria internacionalmente por ter eliminado o inimigo número um dos Estados Unidos da América, Osama Bin Laden, em terras paquistanesas, depois de anos durante os quais todos acreditavam que ele estivesse no Afeganistão. Contudo, a polêmica gira em torno dos meios utilizados para “promover justiça”… até que ponto os fins podem efetivamente justificar os meios?

Há um ano outro fato interessante é que Lula estava no Irã em meio a (tentativas de) negociações com Ahmadinejad. O mesmo Ahmadinejad que está hoje enfrentando tremendas dificuldades internas devido a afrontas ao líder religioso supremo do país.

Será que daqui a um ano os comentários serão diferentes a respeito destes acontecimentos? De fato, existem coisas que só o tempo poderá nos dizer. Enquanto isso, vamos postando e relembrando…


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2 comments
Bianca Fadel
Bianca Fadel

Muito obrigada por suas contribuições, Victor! Extremamente coerente sua análise dos fatos apresentados. Apareça sempre no blog! ;)

Victor Uchôa
Victor Uchôa

Quanto a crise em Portugal e na Grécia, a visão econômica ortodoxa do FMI, que cobra uma série de normas a serem seguidos para que o país em crise seja ajudado, minando o crescimento economico dos mesmos dentro de um curto a médio período de tempo, é realmente algo que não se tem idéia do que esperar. Depende muito dos resultados, tanto internos dos países em crise quanto de haver mais repetições dos seus efeitos nos próximos meses. Dependendo da falta de resultados da ajuda financeira e de novos fatos a esse panorama, podemos logo logo nos vermos diante de uma situação que coloque em xeque os ganhos que os países da Europa tem em se manter unidos. Lembrando que as diferenças históricas entre eles ainda é extremamente acentuada. A extrema direita também cresce a cada eleição em diversos países, cobrando um maior protecionismo e isolamento das fronteiras, tanto econômicas quanto humanas.Já no mundo árabe, acho que ainda é complicado entender ainda muitas coisas. Muito pela novidade, muito pelas limitações de informações que temos. Até três meses atrás achavamos que as ditaduras eram fortes como rocha, mas agora já sabemos que os movimentos para a queda das mesmas eram grandes em quase todos os países que vivem turbulências políticas no momento. Não se sabe o tamanho do apoio popular na Síria ou no Irã, nem mesmo os países ocidentais, que rapidamente correram a apoiara a queda do ditador do Egito e da Líbia, mais como uma oportunidade de desvinculação política com aquelas figuras do que por estarem envolvidos de um sentimento universal democrático repentino, ousam tomar qualquer partido sobre as revoltas nos outros países. Com certeza daqui a um ano estaremos novamente muito surpresos com o caminhar dessas duas regiões do planeta.