Há um ano...

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Nas Relações Internacionais, uma coisa puxa a outra. Há (cerca de) um ano, duas postagens da Página Internacional se referiam ao tema do Oriente Médio e seus problemas intermináveis. No dia 6, Giovanni comentava exatamente sobre esse aspecto de déjà vu quando analisamos a questão da paz na região, então pautadas na negociação com os EUA em um misto de ceticismo e esperança. Em seguida, no dia 10, Luis Felipe comentava sobre as negociações e como não frutificaram. A conclusão (como era de se esperar) foi de que o processo de paz na região estava muito longe de se concretizar…

Vamos transpor essa questão para outra região, não menos conturbada? O Afeganistão e seus vizinhos estão em situação igual ou pior à do Oriente Médio, sem vislumbrar uma saída próxima. Com Bin Laden morto, os EUA estão se retirando o mais rápido possível, e deixam o abacaxi dos insurgentes para o próprio governo afegão. E os problemas não se restringem às suas fronteiras.

O mais imediato é o Paquistão. As suspeitas de colaboração interna ao terrorista por lá e o mal-estar que se seguiu à operação dos SEALS está causando muitos problemas no até então maior aliado dos EUA na região. Estes vão cortar um bom naco da ajuda militar que prestavam ao Paquistão, tudo indica que a violência no país aumentou desde que se deu a eliminação do homem mais procurado no mundo, e já se diz que seu sucessor teria dado as caras em regiões isoladas, o que obviamente tende a piorar a questão.

Outro em maus lençóis é o Quirguistão. Com o fim das operações no Afeganistão, existe uma grande probabilidade de que seja fechada a base norte-americana no país (o principal ponto de abastecimento dos EUA para as missões em território afegão), que além de gerar alguns atritos com a Rússia é uma grande fonte de renda para o país, com o aluguel e taxas administrativas. A perda dessa fonte de renda seria por demais danosa a um país ainda imerso no caos da reconstrução após a turbulência política do ano passado, e onde acusações de impunidade e violência são constantes.

A solução de conflitos no Oriente Médio parece um problema sem fim, mas do jeito que as coisas andam não vamos ter um quadro muito diferente nessa região montanhosa da Ásia, nem daqui a um ano, nem um futuro próximo…


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