Há um ano...

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Há um ano, as coisas andavam agitadas na Página Internacional. Entre as principais análises feitas no momento, estava o anúncio do cessar-fogo permanente do grupo separatista basco ETA. Apesar de oficialmente ter deixado a luta armada pra trás (e não ter dado muitas confirmações disso, fora declarações esporádicas), isso não significa que o grupo esteja desmobilizado. Houve até indícios de que membros do ETA treinaram colegas das FARC – mostra de uma atividade que ainda deixa a Espanha e boa parte da Europa com um pé atrás até hoje.

Outro ponto levantado era a questão da imigração. Em um post que relatava problemas recentes na França e no México, o tema principal era a própria escolha e dificuldades da imigração. Não poderia ser mais atual, especialmente quando consideramos o quadro de tensões entre Europa e norte da África. A escalada de conflitos internos na onda de revoltas mediterrâneas se soma-se aos problemas econômicos europeus, criando um quadro nada convidativo aos imigrantes. A revisão das políticas de imigração e problemas na Itália e França são apenas a ponta de um iceberg muito perigoso.

Agora, se houve uma situação que se degradou bastante, foi a de Israel. Há um ano, se comentava a volta dos EUA como mediadores do interminável processo de paz entre Israel e palestinos, e como isso afetava os interesses iranianos na região. Teria continuado mais do mesmo hoje em dia, se não tivesse havido dois problemas, a questão da flotilha turca de ajuda a Gaza e a revolta no Egito. A primeira azedou completamente as relações entre dois aliados de décadas; o relatório da ONU sobre o desastrado ataque à flotilha livrou a cara de Israel, mas ainda assim a Turquia exige uma retratação que nunca vai vir. O efeito mais drástico disso se deu na semana passada, com a expulsão do embaixador israelense da capital turca, Ancara. Já a segunda questão, com a queda de Hosni Mubarak, fez Israel perder um dos poucos aliados que tinha em países árabes e resultou em problemas com terroristas atravessando território egípcio para atacar Israel pelo sul, ao que respondem com ações armadas que já afetam o Egito. Se com a onda de revoltas, pode-se dizer que no Oriente Médio ficou “cada um por si”, do Irã ao Marrocos, Israel fica mais fragilizado que os demais, ao colecionar novas inimizades e deixar de receber paulatinamente o apoio dos (política e economicamente) desgastados EUA.

Se as coisas parecem ter piorado, resta a expectativa de que daqui a um ano possamos relatar eventos mais positivos. Mas por enquanto, é isso aí pessoal, postando e relembrando.


Categorias: Europa, Há um ano..., Oriente Médio e Mundo Islâmico


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