Há um ano...

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O que Cristina Kirchner, a Política Externa Brasileira, a Estação Espacial Internacional e um livro de George Bush têm em comum? Bem, eles eram tema de nosso blog há um ano!

No final de Outubro, postagem da Bianca comentava como Cristina Kirchner tinha uma missão árdua pela frente – com a recente morte de seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner (que por sinal completou um ano no último dia 27), a presidente argentina deveria mostrar a que veio e “construir a identidade própria de seu governo”. Aparentemente, um ano depois, ela conseguiu – não apenas desenvolveu um estilo bastante midiático e popular, como leva o país a uma onde de recuperação econômica e conseguiu se reeleger para mais quatro anos (completando 12 anos ininterruptos de “kirchnerismo”).

Em seguida, um post da Andrea abordava a questão da política externa brasileira no contexto das eleições presidenciais de então. O grande debate era sobre os rumos que nossa política tomaria a depender do candidato que fosse eleito, e como o tema fora tratado em campanha – via de regra, de modo superficial. Ainda é muito cedo para avaliar de maneira mais profunda o atual governo nessa área, contudo, o primeiro ano de governo Dilma parece demonstrar certa mudança com relação ao anterior. O tratamento de temas como Direitos Humanos parece diferenciado, e muito mais que um país emergente em busca de novos aliados e oportunidades, agora o Brasil parece ter se estabelecido quanto a um papel de destaque (já se fala em figurar entre as seis maiores economias do mundo dentro de 15 anos por causa da crise econômica europeia, ultrapassando até mesmo a Alemanha) e enfrenta o desafio de manter essa dinâmica.

No dia 1º, este que vos escreve comentou sobre a comemoração dos dez anos da Estação Espacial Internacional, e como essa empreitada é um esforço internacional de cooperação muito bem-vindo. Um ano depois, as coisas não andam tão bem – nesse meio tempo as cápsulas russas que enviariam suprimentos sofreram com problemas no lançamento e as “entregas” estão atrasadas, e já se fala em planos de emergência para abandonar a estação e deixá-la no “piloto automático” por falta de suprimento pros astronautas. Enquanto isso, os EUA parecem cada vez menos inclinados a fazer missões espaciais, o programa do ônibus espacial foi encerrado definitivamente, e o programa espacial chinês continua evoluindo a todo vapor. Ao mesmo tempo, a agência espacial européia e a Rússia buscam prorrogar o período de atividade da ISS (para além de 2015), o que vem em boa hora. Agora que a humanidade chegou a 7 bilhões de habitantes, talvez seja a hora de considerar seriamente a possibilidade de mandar pessoas pro espaço (literalmente) em um futuro próximo, e estudos como os da ISS são fundamentais para isso…

No dia segunte, o Giovanni fazia uma brincadeira com o halloween e festas juninas para tratar de um assunto sério, o envio de pacotes-bomba para embaixadas e representações em países europeus. Aparentemente, foram motivados pela crise econômica e social, não tiveram vítimas graves. Mas hoje os países da UE enfrentam situação bem pior, com uma bomba ainda mais destrutiva em suas mãos, que é a crise econômica cujo remédio é amargo e vai trazer insatisfação ainda maior, com protestos crescentes e uma crise institucional que põe em risco a própria sobrevivência do bloco.

Por fim, no dia 3, o Raphael comentava do lançamento do livro de George Bush explicando (e justificando…) suas traquinagens ao longo de 8 anos de Casa Branca. O tema era muito mais sobre persuasão e como exercer outras formas de poder, indiretas, mas não menos efetivas. E o tema não seria menos atual – basta tomar o caso da Wikileaks. Aquele site amado por muitos, temido por tantos outros, que estava desvelando segredos e escândalos internacionais, dos mais divertidos aos mais aterradores, vai muito provavelmente encerrar suas atividades por tempo indeterminado pelo simples fato de que não consegue se manter. A falta de fundos foi imposta por um bloqueio sistemático de operadoras de cartões e outras empresas a suas fontes de financiamento. Somado às suspeitas acusações contra seu criador que renderam um processo judicial na Suécia, vê-se que existem formas muito sutis – mas não menos efetivas – de exercer poder e enfrentar “ameaças” aos Estados (além de abrir um precedente terrível contra a liberdade de circulação de informação…).

Enfim, post longo, mas com assuntos instigantes, e mostra como a atualidade ainda reflete de maneira profunda eventos não tão distantes. Afinal, é pra isso que temos essa seção – e vamos que vamos, postando e relembrando…


Categorias: Américas, Brasil, Economia, Estados Unidos, Europa, Há um ano..., Política e Política Externa


1 comments
Anonymous
Anonymous

TEXTO MUITO BEM ELABORADO.AMPLITUDE DE IDEIAS E MUITO BEM FUNDAMENTADAS.MUITAS VEZES, É BOM RETOMARMOS IDÉIAS E ANALISES DO PASSADO, PARA CONSTATARMOS. SE REALMENTE NA TEORIA; A PRATICA É MUITO DIFERENTE.