Há um ano...

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Nosso tema em 2010 era o processo eleitoral na Nicarágua. O esperado se confirmou recentemente, Daniel Ortega ganhou com ampla maioria, apesar das discussões levantadas. Confirma-se, novamente, a tendência regional de manutenção no poder de líderes fortes. Exemplos não faltam. Muitas vezes as instituições ficam em segundo plano.

Pois bem, falávamos das perspectivas democráticas na América Latina. Nossos líderes tendem a buscar projetar uma imagem de salvadores da pátria, dizem ter paixão e desprendimento infindáveis pelo bem da nação. Não é isso? Neste sentido, passar o poder para outro político pode colocar tudo a perder.

Agora, no entanto, voltamos nossa atenção para outra região. A Grécia e a Itália ganharam novos líderes. Hoje é a vez da Espanha. O favorito é Mariano Rajoy, representante da oposição, impulsionado pela baixa popularidade do primeiro-ministro Zapatero. Diante de situações econômicas e sociais críticas, os novos governos enfrentarão imensos desafios.

A ironia reside justamente no fato de que os governantes europeus terão que personalizar o aplicado na América Latina. Afinal, só salvadores da pátria para aceitarem encarar os desafios em países como Grécia, Espanha e Itália. A difícil realidade não deve vir acompanhada por maior compreensão popular frente dificuldades, muito pelo contrário. Como já vimos em outras situações, propor e implementar a tal austeridade é legal mesmo na casa dos outros.

Obs: A apuração dos votos na Espanha não terminou, contudo o candidato da situação já reconheceu a vitória de Rajoy. O vencedor acaba de discursar e agradecer o trabalho de seus seguidores, diretamente da sede de seu partido.


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