Há um ano...

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Em dezembro de 2011, o blog estava a todo vapor, e não era pra menos. Estava em curso a inédita operação de ocupação do morro do Alemão, e discutíamos a funcionalidade dessa operação militar. Uma postagem bastante crítica discutia, mais do que a presença do exército nas ruas, a própria função dessa Força, e como no Brasil está havendo gradualmente uma “desvirtuação” de sua função original. Por falta de uso ou acomodamento, o fato é que esse é um processo bastante atrativo para os governos estaduais (que se livram do custo de operação policial e em caso de fracasso podem jogar a culpa toda no exército). E isso prossegue, com os exemplos mais famosos, a ocupação do Alemão completando um ano, e a recente da Rocinha a perder de vista. Isso me faz me perguntar: em vez de usar o exército, por que não equipar melhor a polícia? Afinal, a justificativa é que o exército é melhor preparado (em termos de aparato) para essa situação de “combate”, uma vantagem contra os criminosos que geralmente a polícia não consegue ter. Não seria mais barato, por exemplo, em vez de colocar o exército lá, dar tanques para a PM? (E nem me venham dizer que é loucura, a SWAT dos EUA tem…). Piadas à parte, continuamos com as tropas enfrentando bandidos e tapando buraco de estrada em vez de patrulhar a fronteira.

Dias depois, comentávamos a questão da confiança entre os países, com o exemplo do caso (então recente) da Wikileaks, falando de transparência e outros temas relativos à diplomacia. Um ano depois, o que temos? A Wikileaks faliu e seu dono está enjaulado, mas o estrago parece perdurar – mesmo na Europa, onde tudo era perfeito, a crise de confiança faz com que ninguém queira arcar com o peso da integração e salvar a Zona do Euro. Não vamos dizer que a crise européia é culpa da Wikileaks, claro, mas percebe-se que há algo de diferente no ar no ambiente de negociação internacional, e isso mudou no último ano…

Por fim, um último post tratava das possíveis diferenças entre os perfis diplomáticos dos governos Lula (então em seu final) e Dilma (uma grande expectativa). Após um ano, ainda é bem difícil traçar um perfil definitivo sobre o atual governo, mas percebem-se grandes diferenças em alguns temas com relação ao anterior. Me parece que a diplomacia de Lula era bem mais “espetaculosa”, enquanto a de Dilma é mais discreta. Talvez isso se dê por conta do perfil dos ministros da pasta em cada gestão: com Celso Amorim, o Itamaraty era bem mais ativo, em sua busca incessante (e até mesmo obsessiva?) pela vaga no Conselho de Segurança da ONU, enquanto o atual, de Antonio Patriota, é bem mais pragmático e articulador. Ou, nas palavras de um conhecido, Amorim é o cara que atirava pra todos os lados com uma metralhadora, enquanto Patriota parece ser um atirador com um rifle de precisão. Exageros à parte, parece descrever bem a situação… Aliás, é interessante ver como, na atual gestão do Ministério da Defesa, Amorim parece bem mais comedido que em seus tempos de chanceler.

É isso aí pessoal, postando e relembrando.


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