Há um ano...

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Há um ano, assim como hoje, boa parte da discussão na Página Internacional se focava no Oriente Médio – mas não na Síria, que ainda era apenas um país cheio de protestos violentos, e não em uma guerra civil; a bola da vez era a Líbia (se bem que seria mais “norte da África”, mas enfim). Meio que num clima de ressaca, após a intervenção de países europeus, Kadaffi entocado em algum buraco (e com razão, como descobriu alguns meses depois), o destino do país estava nas mãos dos revolucionários. 

Hoje, com Kadaffi sendo apenas mais um nome escrito com sangue nas páginas da história, e a situação controlada pelo conselho de transição, a Líbia já passou até por eleições parlamentares (coisa que nem se sonhava no começo de 2011), mas isso não significa que as coisas estejam totalmente pacificadas. A perseguição a ex-aliados de Kadaffi é algo comum (o bom e velho revanchismo que infecta toda e qualquer revolução), com atentados e assassinatos (o mais recente foi um carro-bomba que estourou matando um ex-oficial de segurança do antigo regime), a instabilidade política é visível, e existe um risco muito grande de sectarismo religioso. Grupos islâmicos como a Irmandade Muçulmana, e mesmo radicais, como os salafitas, não obtiveram muitas cadeiras no congresso (quando conseguiram) e estão enveredando pelo caminho da panfletagem e mesmo da ação direta (como a derrubada de bibliotecas). Num ambiente instável, todos sabem que é um pulo para que protestos e desavenças virem algo maior, especialmente quando falamos de religião. 

Enquanto isso, relembrávamos os dez anos dos atentados de 11 de setembro. Não há muito o que se comentar disso – é um daqueles eventos cruciais da história humana, e seus efeitos ainda estão se desenrolando. Mas é interessante notar como a memória continua viva – inclusive com a aproximação das eleições presidenciais dos EUA. Se Obama está enfrentando muitos problemas em casa, com a dificuldade em cumprir promessas de campanha e a economia dos EUA esfriando, um de seus maiores trunfos está ligado a essa data funesta, pois foi ele o presidente que pegou o bandidão responsável. Foram os SEALs que fuzilaram o barbudo indefeso, mas é Obama que entra pra história como o presidente que pegou Osama Bin-Laden – e isso vale muito para os norte-americanos. 

Por fim, uma comemoração muito especial para o blog: anunciávamos o lançamento oficial do livro, que ocorreu no dia 11 daquele mês. É uma etapa importante de nossa história particular, e nunca é demais agradecer aos leitores e amigos que tornaram essa conquista possível. Para quem não viu, ou quer relembrar, confira aqui a postagem especial do lançamento!

E vamos que vamos pessoal, postando e relembrando…


Categorias: África, Conflitos, Estados Unidos, Há um ano..., Oriente Médio e Mundo Islâmico


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