Há um ano...

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Há um ano a Página Internacional publicava um post do leitor, Tauã Carvalho, Da Democratização das Relações Internacionais. Um texto de crítica aos argumentos de que vivemos em um momento particular no cenário internacional, no qual há maior acesso e capacidade de influência dos países menores nas R.I. Para ele, não há democracia alguma. Pode até ter mais participação dos países periféricos e dos menos poderosos, mas, no fim das contas, quem bate o martelo, quem influencia mais ainda é aquele seleto condomínio das potências. Vale a pena revisitar o texto, pois mesmo um ano depois, essa discussão ainda é muito atual. 

Bom, na mesma semana tivemos outros posts sobre eventos marcantes do final de 2011. O primeiro, da Bianca, tratou da morte de “Alfredo Cano”, aquele que ocupava o cargo mais alto na direção das FARC. Ela colocou que a “Operação Odisseia”, que acarretou a morte de Cano, foi uma mistura de boa elaboração com sorte e que de forma alguma representaria o fim do conflito na Colômbia. Na opinião dela, o adequado seria repensar as políticas colombianas frente aos grupos paramilitares. Bom, de fato operações como essa não resolveriam o problema. Hoje, o que pode ser o indício de um bom resultado de novas opções políticas são as negociações de paz entre as partes. Iniciadas no segundo semestre desse ano, fora do território da Colômbia, podem indicar a possibilidade de uma trégua. Talvez por maior disposição do governo, das FARC ou dos dois em conversar, pelo desgaste do conflito ou por novas circunstâncias políticas. Ainda é preciso esperar pra ver onde tudo isso vai dar… 

Outro post que marcou alguns tipos de “mortes políticas” foi o do Álvaro. A crise na União Europeia começava então a derrubar seus primeiros líderes e se alguns não haviam se dado conta ainda, começou-se a ver que a situação era séria. Além de Portugal, dois países tiveram seus líderes deixando o poder naquela semana. Na Grécia, George Papandreou, e na Itália, nosso sempre polêmico, Silvio Berlusconi. No texto, o Álvaro colocou algumas perguntas interessantes que servem de reflexões. Será que os líderes pensaram em, de alguma forma, chamar para si a responsabilidade da crise e deixar os próximos líderes com uma bomba um pouco menor? Ou talvez apenas respondiam às pressões que se voltavam sobre seus Estados? Ao final do post, ainda é mostrado o caminho inverso que a Islândia tomou quando enfrentou uma crise semelhante, deixou os grandes bancos quebrarem e manteve o contribuinte isento e suas contas em dia. Mesmo guardadas as devidas proporções, essa reflexão e lição é válida para a Europa. 

Para fechar a semana, tivemos um dos textos mais polêmicos e visitados do blog. Em seu texto, Israel X Irã: o problema não é nuclear, Giovanni colocou o programa nuclear iraniano em perspectiva histórica, mostrando que as rivalidades entre os judeus e os persas vão muito além do momento atual. Coloca que há rivalidades antigas desses dois países que caminham lado a lado com interesses territoriais de Israel, “desígnios de grande potência” por parte dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido e busca de maior espaço de atuação no cenário internacional por parte do Irã. Ainda hoje a questão do programa nuclear iraniano se arrasta pela agenda internacional e compreender um pouco da origem de toda essa tensão é extremamente relevante (clique aqui para rever). 

Bom, pessoal, é isso aí! Postando e relembrando!

[Para o post número 2 da série “O mundo em lotação” também dessa mesma semana, clique aqui]


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