Há elefantes demais na política mundial

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[A figura é estranha e parece que não tem nada a ver com o post, mas não achei o que eu queria.]


Certamente, todos já ouviram aquele dizer popular: “Um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais…”, e assim sucessivamente. Bem, se isso fosse um podcast, eu poderia cantar para vocês, mas todos teriam pesadelos à noite. À parte desta brincandeira, cocentremo-nos neste fato bastante notório: há elefantes demais na política mundial e, particularmente, elefantes que afetam a política externa dos Estados Unidos e que lançam novos desafios para o governo Obama ao redor do globo.

Permitam-me explicar melhor esta história maluca dos elefantes: quando cito esse animal, faço referência aos grandes acontecimentos que estão em curso por todo o mundo – evidentemente que não estão todos evidenciados aqui, mas aqueles que mais afetam o posicionamento estratégico dos Estados Unidos e os seus interesses serão levantados.

O primeiro elefante é uma grande novidade para todos: a questão nuclear. Faz tempo que ninguém posta nada sobre isso no blog, não é? E lá vem a Coréia do Norte mais uma vez. Agora o país está afirmando que pretende lançar um míssil balístico intercontinental contra os Estados Unidos. Sinceramente, a possibilidade desse míssil atingir o território norte-americano é a mesma de se acertar na mega-sena. Até onde esse míssil poderá chegar caso seja lançado – o que eu duvido? Façam suas apostas. É mais um capítulo desta novela que já dura semanas e outra tentativa de afastar o louvado sonho de um mundo sem armas nucleares do messiânico Obama.

O segundo elefante: a tensão no Oriente Médio. Continua a epopéia árabe-israelense. Contudo, novos traços estão surgindo. O Irã agora quer ser gente grande, quer ter uma bomba atômica para riscar Israel do mapa. A comunidade internacional, na qual os Estados Unidos também estão inclusos, querem um Estado Palestino. E Israel quer uma ação imediata contra o Irã e continuar com os seus assentamentos sobre resquícios do território palestino. A soma dos fatores tem produzido resultados na política interna israelense: ontem, o gabinete do país rejeitou uma proposta que exigia que todos os residentes em suas fronteiras jurassem lealdade ao Estado judaico. E também nas suas relações externas, já que há pontos de discordância entre Netanyahu e Obama.

O terceiro elefante que paulatinamente foi se apagando da mídia: a eterna prisão afegã. Ao contrário do que se esperava, não se pacificou o Afeganistão. Muito pelo contrário, o Taleban e os movimentos insurgentes se fortaleceram, inclusive, em solo paquistanês. Os Estados Unidos nomearam então outro comandamente para lutar no deserto, o general Stanley McChrystal, alguém simplesmente famoso por se engajar em operações especiais e secretas. Resultado: o governo norte-americano optou por abandonar o tom pseudo-diplomático para pôr em prática a idéia da contrainsurgência, consumada pela Doutrina Petraeus, no cerne do pensamento militar. Até agora, a resistência não cessou nas fronteiras afegãs e nem na região; passou a ser um intenso problema do Paquistão combater o Taleban, o que rendeu ao país a reedição do Velho Oeste hollywodiano: há um prêmio de R$ 600,00 pela morte ou delação do líder da organização na região de Swat, o clérigo Fazullah.

O quarto elefante: Cuba. Já se falou muito sobre a reaproximação falseada entre Estados Unidos e Cuba neste blog. Foram liberadas as transações financeiras entre os dois países e está em discussão a questão das imigrações. Entretanto, as coisas não param por aqui. Mesmo que o nosso chanceler, Celso Amorim, tenha declarado hoje que é preciso enterrar burocraticamente o “caso Cuba”, ou seja, encerrar o embargo à ilha e trazê-la de volta para o continente, o que está em jogo é modo pelo qual se fará o retorno cubano. O governo norte-americano está se aproveitando da situação para dizer o adeus definitivo a Fidel Castro e tentando moldar a ilha de acordo com os seus interesses na região. Ora, creio que todos já viram as intenções norte-americanas de combate ao terrorismo, ao tráfego de drogas e aos desastres naturais no alvorecer do novo milênio. Sim, Plano Colômbia. Agora é a vez do Plano Cuba.

O quinto elefante: a reunião da Organização dos Estados Americanos que tem início amanhã. De maneira geral, participam das reuniões desse órgão apenas os Ministros de Relações Exteriores dos respectivos países-membros. Mas, excepcionalmente neste ano, teremos duas ilustres participações. Adivinhem quem são os penetras? Sim, eles, Hugo Chávez e Daniel Ortega, presidentes da Venezuela e Nicarágua, respectivamente. Sem dúvidas, confusão não vai faltar, ainda mais que ambos não apenas se inscreveram para participar da cerimônia de abertura, mas também das reuniões deliberativas. Coitado do senhor José Miguel Insulza, secretário-geral da OEA, que está otimista com relação ao encontro. E agora, Hillary Clinton? A luz ainda está acesa.

[Confesso que estou ansioso para ver o resultado desse período de reuniões da OEA.]

É, meus amigos, aqui estão algumas das grandes questões com as quais temos confrontado nos últimos tempos. Com certeza, há outros pontos a serem levantados e isso poderia ser feito por vocês, caros leitores, o que acham? Que tal discutirmos neste espaço acerca dos problemas mundiais sobressalientes? Os elefantes estão se procriando em progressão geométrica e, daqui a pouco, não haverá safari que os acolha.

Acho que já vou indo, antes que eu seja pisoteado…

[Hoje foi um dia em que nos sensibilizamos com o desaparecimento do vôo AF-447, portanto, sejamos todos solidários à humanidade e desejemos esperança e luz aos que sofrem pelos desígnios do destino. Que nossas forças os fortaleçam também!]


Categorias: Ásia e Oceania, Estados Unidos, Organizações Internacionais, Oriente Médio e Mundo Islâmico


1 comments
Bianca Fadel
Bianca Fadel

É, estou começando a acreditar que é de elefante em elefante que a política internacional se constrói... ^^"Conforme sugerido, eu acrescentaria à lista (que já não é pequena) a questão dos desastres ambientais, ainda mais porque a Reunião de Copenhague (que deve - ou ao menos pretende - propor uma nova abordagem no âmbito do Protocolo de Kyoto ao final deste ano) se aproxima e a perspectiva de cooperação dos Estados neste sentido não parece muito animadora...Vamos ver, né ?! Eu diria que esse é um elefante beeem grande... hehe...(E os destroços do avião parecem ter sido encontrados agora... esperança?)Beijos ! Até mais ! =)