Gringos gente fina

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Vi um vídeo esses dias do TED (que tem vídeos muito bons e altamente recomendados) de um pesquisador dos EUA que fala sobre as mudanças urbanas, ambientais e etc. O mais interessante no entanto, não eram as idéias do Stewart Brand, mas sim a forma que ele comentava as adaptações.

“É assim no Rio de Janeiro” – com imagens de um super-mega-gato de energia na favela. Esse, e vários comentários bizarros sobre a vida nas metrópoles de países “não-ocidentais” que tentam passar a idéia de que pobre em cidade grande é super feliz e se adapta a qualquer adversidade. Primeiro que ele ignora as causas dessa adversidades que não deveriam existir, segundo que só faltou uma viseira e uma câmera pendurada no pescoço pra ele se tornar o perfeito gringo que não quer entender o “resto”.

Só será possível uma real ajuda a nós, países que não fazem parte do ocidente (também conhecido como países desenvolvidos) quando a turma do hemisfério do meio-norte lembrar que fazmos parte do mesmo planeta e que os problemas são mais abrangentes e complexos do que pensam que sabem.

Já passou da hora de continuarmos como capas da National Geographic estampando títulos semelhantes a “mundo exótico”, temas de documentários “mundo estranho” e etc. O fato de não sermos reconhecidos pelos tomadores de decisão mundiais como integrantes do mesmo sistema é razão de muitos dos nossos problemas referentes a esfera internacional. Lembrar que os eleitores e pessoas de “consciência social” mundo afora pensam de maneira semelhante traz tristeza e desespero.

Algum conservador de dentro de seu SUV diria “Ledo engano, nós sabemos da importância de vocês na cadeia produtiva e da relevância econômica na economia global.”. Sabem mesmo. Sabem tanto que só depois da crise recente o G8 foi dissolvido pra dar lugar ao G20. Afinal, como poderiam esquecer do estimado outsourcing indiano, da produção em massa chinesa ou do campo de produção agrícola brasileiro?

Tanto gostam de nós, que precisamos modificar nosso posicionamento de marca em muitos países para não perceberem que o produto veio de país pobre. Se um tailandês vence o Festival de Cannes, a mídia local avacalha a premiação.

Talvez o que tenha escrito tenha pouca relevância para nós brasileiros que sabemos – ou deveríamos saber – muito bem das implicações dessa situação. Mas são poucos os esforços coletivos populares para mudar essa situação. De forma alguma devemos desmerecer os grandes talentos e idéias que fazem o Brasil e outros países serem cada vez mais respeitados no mundo, já que sem eles existiriam mais gringos com a idéia da moradia brasileira ser a copa de uma árvore. Também temos que louvar o numero crescente de pessoas estrangeiras que pensam diferente disso.

Fica uma pergunta para vocês: sendo completamente possível esse pensamento diferente ser apresentado e compreendido pelo mundo, o que poderíamos fazer para por isso em prática?


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