Greve de Fome: Um novo jeito de fazer política na América Latina?

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A greve de fome iniciada por alguns dissidentes cubanos em protesto às condições subumanas das prisões da chamada Grande Antilha parece ser o foco de atenção da nova onda de comoção que atinge a região.
No decorrer da semana, os colegas do blog já dissertaram sobre o assunto. Não é intenção deste post fazê-lo novamente, pois o que o motivou não foram as declarações do presidente brasileiro sobre o assunto ou as críticas que vem recebendo de atores internacionais, sejam eles organizações internacionais governamentais ou não governamentais.
O que chama a atenção e merece ser comentado é o modo encontrado pelos insatisfeitos com a política autoritária de Cuba de protestarem. Na História Contemporânea, pelo menos que eu me lembre, Ghandi foi quem iniciou a prática. Na América Latina, recentemente tivemos um episódio semelhande de greve de fome comentado por mim em um post ano passado, em que Evo Morales iniciou uma greve de fome para que seu Congresso aprovasse uma nova Lei Eleitoral.
Será essa a nossa nova identidade política? Será essa a nova face da democracia latinoamericana tão festejada pelos países que enfrentaram e venceram regimes ditatorias militares não faz muito tempo? Que deixa de lado, e peço perdão por ser repetitiva e reproduzir aqui os argumentos já usados em post anterior, o diálogo e a concertação política para apelar para o autosacrifício seja lá por que motivo for? Medidas desesperadas raramente resultam em soluções satisfatórias, quando muito, se obtém algum sucesso em chamar a atenção do público, são classificadas como heróicas e não se sustentam ao longo do tempo.
Vejam, caros leitores, não quero entrar aqui no mérito das condições das prisões cubanas ou se o governo cubano é autoritário ou não; se permite o diálogo ou não; se os Direitos Humanos estão sendo violados ou não. Questiono apenas nossa maneira de fazer política.
Se a região como um todo quer se projetar no Sistema Internacional, como em alguns momentos tem conseguido, é preciso ter maturidade política para tratar de questões internas e externas, porque ao contrário do que acontecia nas décadas de 50, 60 e 70, em que se recorria às revoluções para provocar mudanças, como acontenceu na própria Cuba, atualmente é essa a linguagem vigente e que espelha a racionalidade da atual sociedade internacional.

Categorias: Américas, Mídia, Polêmica


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