Grécia, pra que te quero?

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Desde que a crise na zona do Euro começou a se alastrar, temos nos perguntado por qual caminho a União Europeia está a se enveredar. Estamos observando o bloco buscando uma saída, abandonando aqueles que mais precisam de sua ajuda ou apenas refletindo sobre a vida enquanto está em seu leito de morte? 

Tudo é ainda muito nebuloso. 

E a situação da Grécia é central nisso tudo. Porque a partir dela já podemos ter uma ideia do que poderá acontecer com países como Portugal, Espanha e Itália. 

Nos últimos meses o que temos observado foi o aumento das medidas de austeridade para a estabilização do déficit público do país. Se antes consideravam a expulsão do país da UE como absurda, agora isso já não é tão estranho. Da mesma forma que, se antes a toda poderosa Alemanha não estava querendo se envolver tanto, tivemos uma pequena mudança que, ao que indica o novo bafafá diplomático na região, não foi tão brusca. Entretanto história e os números não são animadores. No ano passado, o valor total do PIB do país era algo em torno de US$ 298,1 bilhões. Mesmo período que a economia teve um crescimento de -6,0%, após uma sequência de crescimentos negativos, de -3,5%, em 2010, e -2,6%, em 2009. 

Para se ter uma ideia de dimensão do buraco no qual a Grécia está, basta pensarmos na dívida pública do país que junto com a crise no setor imobiliário dos EUA tem um lugar conhecido como uma das causas de todo esse furdunço econômico. Historicamente, o país não tem bons precedentes quando se fala em gastança pública. Mesmo com famoso Pacto de Estabilidade Europeia (para mais aqui e aqui) que impõe o limite de 3% do PIB para o déficit público dos países membros, a Grécia já tinha ido além do permitido entre 2001 e 2006. Ficou bacana por dois anos até que, em 2009, com a crise, a coisa desandou de vez… E hoje a dívida pública do país atingiu a exorbitante cifra de 132% do PIB

Dá pra ver que a situação está complicada. Mas complicada também tem sido rigorosa a ajuda econômica fornecida pela “Troica”, o clubinho dos endinheirados credores (Banco Central Europeu, FMI e pela Comissão Europeia) que tem o poder de exigir o que quiser para emprestar dinheiro. Para receber a próxima parcela do empréstimo, o governo do país tem que enxugar o gasto público em 11,5 mil milhões de euros (5% do atual PIB), além de engordar os cofres do país entre 2013 e 2014. Dificuldade que levou o primeiro-ministro, Antonis Samaras, durante seu encontro hoje com a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, a pedir alguns anos a mais para cumprir as exigências. Proposta que foi rechaçada de imediato, mas ainda trouxe expectativas sobre a Grécia manter-se no bloco. 

Esse episódio ainda demonstra que apesar da Alemanha ter sido um pouco mais flexível pela garantia do segundo pacote de ajuda, ainda não há desejo de aceitar os custos da crise em conjunto.  

Os cenários traçados mostram que a saída da Grécia pode ser catastrófica (veja o esquema) e abrir um precedente complicado para a manutenção do Euro. Há quem indique algumas possibilidades. Paul Krugman, por exemplo, apontou, em um texto recente, que elas envolvem à Alemanha aumentar sua inflação (para diminuir o custo dos empréstimos para os países com dificuldades) e um incentivo conjunto às exportações como forma de quitar as dívidas. Opções que tem pouca aceitação entre os alemães. 

Não dá pra dizer pra onde tudo isso vai, nem mesmo que caminho a UE vai tomar. Todavia, tem grande peso se o bloco (leia-se Alemanha e França) vai querer dar um passo além em seu caráter e buscar soluções mais conjuntas (para mais no blog, clique aqui e aqui), aceitando os custos disso. Crises são sempre tortuosos caminhos que podem trazer lições importantes. No caso, uma trilha que pode levar ao supranacional ou ao fim do bloco.


Categorias: Europa, Política e Política Externa


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