Global Emirates

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Fonte: Economia/Estadão


A foto acima poderia ser enquadrada na nossa seção “Imagem da Semana”. Todavia, é válido ir além dos fatos atuais e procurar um pouco da história por trás do fenômeno que está evidenciado no título do presente texto. Estou falando dos Emirados Árabes Unidos (EAU), país localizado no Oriente Médio, mais precisamente no Golfo Pérsico, o qual não foi abalado pela crise econômica de 2008 e possui nada mais nada menos do que 5% da fabricação mundial de petróleo. É muita coisa!

Volto ao começo. A imagem em questão é do maior prédio retorcido do mundo inaugurado nesta semana em Dubai, um dos sete emirados do país. Em formato de DNA, com 80 andares, o prédio teve um custo total de 272 milhões de dólares, quase 580 milhões de reais. Mundialmente reconhecida por sua arquitetura futurista, Dubai, juntamente com outra cidade-Estado (Abu Dhabi), é exemplo de paraíso terrestre e enquadra-se no que se denominou na academia de “Momento do Golfo” ou “Golfanização do Mundo Árabe”, ou seja, um processo de crescimento econômico da região acompanhado pela intensa internacionalização de sua economia. E é aqui que os EAU se destacam. 

Localização geográfica dos EAU. Fonte: Google


Os EAU são uma federação composta por sete emirados (Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm al-Quwain, Ras al-Khaimah e Fujairah). Além disso, são grandes aliados dos Estados Unidos e possuem uma tradição de homogeneidade com diferentes etnias e religiões. Representam sucesso de coesão política no mundo árabe e, como dito anteriormente, estão no ranking dos maiores produtores de petróleo do mundo. Por fim, o país é símbolo de inclusão das mulheres e tolerância religiosa, ao contrário do que grande parte pensa sobre o Oriente Médio de uma forma generalizada. 

Obteve sua independência recentemente, somente em 1971, em decorrência da criação de uma identidade emirati presente nas mãos do famoso Sheikh Zayed. Como consequência da estabilidade política interna, os EAU conseguiram se sustentar e tornaram-se modelos de construção nacional, sobretudo com uma forte legitimidade cultural. Nos seus primeiros trinta anos de existência, o país, liderado por Abu Dhabi e Dubai, apresentou uma prosperidade nacional de grandes proporções. Unindo coesão política, social e cultural, os EAU chegaram no início do século XXI como o maior motor de um novo período: o “momentum” do Golfo. 

Com um Produto Interno Bruto (2009) de 200 bilhões de dólares em 2009, os emirados são considerados, em contrapartida com seu território minúsculo, uma potência econômica expressiva. De acordo com dados do “UAE Yearbook” de 2010, a estabilidade comercial tenderá a continuar com as explorações de petróleo e gás. Aliando diversificação, liberalização e globalização, os EAU conseguiram inserção internacional e, hoje, têm participação ativa no mercado de capitais.

Assim, os considerados “apenas emirados” do século XX tornaram-se “Global Emirates” na última década, haja vista que a região passou a assumir responsabilidades econômicas internacionais e seus Estados adquiriram status de potência. A figura do prédio giratório certamente ganhará acompanhantes, pois Dubai atrai turistas por sua peculiaridade urbana em decorrência, sobremaneira, das cifras do petróleo. Pelo pouco que estudei, os EAU são um país peculiar e diferente tanto no Golfo quanto no Oriente Médio. Minúsculo geograficamente, mas gigante nas mais variadas questões, inclusive com arranha-céus.


Categorias: Economia, Oriente Médio e Mundo Islâmico


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