Gerenciar riscos para evitar desastres

Por

Vanuatu

Um dos piores desastres socioambientais da história do Pacífico Sul atingiu o arquipélago de Vanuatu neste final de semana. Muitos de nós talvez nunca tenhamos ouvido falar de Vanuatu até hoje, mas trata-se de um país formado por cerca de oitenta ilhas na Oceania e que está absolutamente devastado após a ruidosa passagem do ciclone Pam.

Mapa Vanuatu

Com ventos de mais de 300 km/h, o impacto do desastre ainda está sendo avaliado, mas dezenas de vítimas fatais já são contabilizadas pelas Nações Unidas. Existe a certeza, contudo, de que é crítico o isolamento do país após a passagem do ciclone que afetou o fornecimento de energia elétrica, o acesso à água e aos alimentos, além de ter provocado destruição física das construções, principalmente na capital Port Vila.

A Cruz Vermelha da Nova Zelândia estima que mais de 100 mil pessoas tenham sido direta ou indiretamente afetadas pelo desastre, o que torna urgente o apoio humanitário à população local, liderado pelos vizinhos Austrália e Nova Zelândia no momento.

Desastres socioambientais são passíveis de acontecerem (e até previsíveis) em diversas regiões do mundo, o que faz parte de uma realidade que não podemos controlar. Contudo, o debate deve se voltar justamente à construção de resiliência principalmente nos locais mais vulneráveis para que o impacto possa ser reduzido ao máximo.

Coincidentemente, está acontecendo essa semana em Sendai, no Japão, a Terceira Conferência Mundial em Redução de Riscos de Desastres, coordenada pelas Nações Unidas e fruto de amplo diálogo com Governos, iniciativa privada e sociedade civil sobre o tema.

A importância do assunto é inegável já que as estatísticas demonstram que, desde 2005, mais de 700 mil pessoas morreram e cerca de 1,7 milhão de pessoas foram afetadas por desastres no mundo. No âmbito intergovernamental, o principal objetivo do encontro é aprovar um novo marco de ação, atualizando Quadro de Ação de Hyogo no contexto pós-2015.

Mais que gerenciar o desastre em si, a prioridade deve ser gerenciar os riscos de desastres, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Redução de Risco de Desastres (UNISDR). De fato, situações de desastre como a que está sendo vivida em Vanuatu deixam clara a necessidade de prevenção e gestão de riscos para evitar ou, pelo menos, minimizar o impacto das catástrofes desse gênero na vida daqueles que mais sofrem suas consequências.


Categorias: Ásia e Oceania, Assistência Humanitária, Meio Ambiente, Organizações Internacionais


0 comments