Gafe norte-americana

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Associar o nome “Bush” com a ideia de “gafe” em uma mesma frase talvez não seja exclusividade do dia de hoje, mas fato é que a situação em questão foi especialmente desagradável.

No dia em que Nelson Mandela, depois de três meses internado em estado crítico, deixou o hospital em Pretória para receber cuidados domiciliares, foi divulgado um comunicado de imprensa de George Bush pai em que expressa suas condolências pelo falecimento do líder sul-africano

De responsabilidade de seu porta-voz, chamado Jim McGrath, o comunicado homenageava Mandela ao dizer que ele “foi um homem de grande coragem moral que mudou o curso da história em seu país”, lamentando sua morte. A gafe foi rapidamente percebida pelo porta-voz, que se desculpou pelo “erro estúpido”, tentando justificar-se ao afirmar que informações do jornal “The Washington Post” foram mal interpretadas. Pouco, contudo, pode ser feito em relação às consequências de palavras já ditas – e publicamente divulgadas.

Este acontecimento sugere duas reflexões diferentes. Em primeiro lugar, fato é que o estado de saúde instável de Mandela, com seus 95 anos, preocupa. Sua volta pra casa não transparece a melhoria esperada por todos, visto que seu tratamento continuará intensivo e foi revelado que o ex-presidente sofre de complicações múltiplas.

Entretanto, nada justifica a gafe de McGrath e, consequentemente, de Bush pai. E a segunda reflexão é efetivamente sobre o papel dos assessores e dos porta-vozes. Estes são os principais responsáveis por toda a comunicação e pela forma como a informação chega, por um lado, aos assessorados e, por outro, ao público em geral. Trata-se de uma função cuja importância é poucas vezes reconhecida no dia-a-dia, mas imediatamente visível em caso de erros e problemas – talvez como todas as funções, aliás, mas mais facilmente midiatizada e com consequências negativas proporcionalmente mais impactantes.

Seguem, pois, as expectativas pela melhora do herói Mandela, lamentando o erro crasso do porta-voz norte-americano e esperando que mensagens de condolências como esta desacertadamente divulgada não sejam necessárias tão cedo… 


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