Follow up – MERCOSUL – De boas intenções…

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(A charge não tem TANTO a ver com o post, mas é muito engraçada!)

Irã, Coréia do Norte, Brasil, enfim. Polêmicas não têm faltado nessas últimas semanas. Então, vamos dar um tempo hoje nessas discussões todas. Que tal ficarmos por dentro dos acordos comerciais que o Brasil participa hoje ou está negociando? É interessante saber quais acordos estão em vigor ou sendo negociados (estes últimos no âmbito do Mercosul somente, uma vez que o Tratado de Assunção proibe que os países fechem acordos isolados a partir da data de entrada em vigor do Mercosul).

Primeiro os acordos que estão em vigor:

Antes de entrar no Mercosul, o Brasil havia fechado dois acordos bilaterais, um com o México e outro com a Guina. Depois disso, no âmbito do bloco, temos acordos comerciais com a Bolívia, Chile, Cuba, Colômbia, Venezuela, Equador e Peru. Recentemente, fechamos um acordo com a Índia, que deve entrar em vigor nos próximos 30 dias.

Os acordos que estão sendo negociados (todos no âmbito do Mercosul):

Israel, Jordânia, Marrocos, Turquia e União Aduaneira da África do Sul. Existe ainda um acordo na fase inicial de negociação com o Conselho de Cooperação do Golfo e um com a União Européia que nunca saiu do papel e dificilmente andará com essa crise toda… Aliás, nenhum destes acima tem chance de sair do papel tão cedo…

Pois é. Achou pouco? Eu também. Aliás, os empresários brasileiros em geral têm a mesma opinião. É engraçado que um país com o Brasil tenha tão poucos acordos que ofereçam preferêncais tarifárias, o que facilita o comércio, que fica mais barato sem ou com redução das tarifas.

Ah, mas tem a tal da Rodada Doha! Ilusão. O governo, inclusive, já parece mais lúcido e não aposta no fim da Furada Doha ainda esse ano, como chegou a afirmar nosso ministro de Relações Exteriores.

Estive em um evento este ano em que tive a oportunidade de ouvir um ministro defendendo a política brasileira de investir em acordos multilaterais. Veja aqui o post que fiz na ocasião. A posição do governo não mudou de lá pra cá.

O fato é que o Mercosul inviabilizou muita coisa. Ficamos, na verdade, na mão dos ‘parceiros’ com relação aos acordos comerciais que queremos fechar, uma vez que nada se pode mais fazer a menos que seja no âmbito do bloco.

É interessante para os estrategistas do Itamaraty, que podem treinar suas habilidades de negociação com os vizinhos para conseguir fechar um acordo comercial qualquer. Por outro lado, a Argentina, se quiser, pode bloquear um acordo que nos favoreça. Creio que quando do fechamento do Tratado de Assunção, a intenção foi das melhores, a fim de evitar as tais assimetrias comerciais entre os membros.

Mas, de boas intenções, o inferno está cheio. O uso desse mecanismo pode claramente ser político se algum membro quiser. Nem quero imaginar o que pode acontecer quando a Venezuela entrar…


Categorias: Américas, Organizações Internacionais


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