Fim?

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Um já fragilizado grupo separatista ETA, reconhecido como terrorista por europeus e norte-americanos, anunciou o fim definitivo de suas atividades armadas. Desde sua fundação o em 1959, durante a ditadura de Franco na Espanha, empunhou a bandeira do separatismo para os territórios bascos (norte da Espanha e sudoeste da França). Em seu início, pregava a formação de uma organização clandestina e revolucionária. Contudo, ficou marcada pela grande violência de suas ações terroristas. O grupo fez mais de 800 vítimas.

A luta de Espanha e França contra o ETA fragilizou suas atividades, mas os ataques continuaram. O grupo chegou a anunciar suspensões temporárias, as quais não levaram ao final definitivo de suas atividades armadas. A mais recente comunicação do grupo, a despeito do ceticismo de alguns, marca uma posição definitiva com relação à prevalência do diálogo político ante a luta armada pela causa basca. Já a promessa do ETA de findar as ofensivas ainda terá de ser observada na prática.

Apesar de enfraquecido, o grupo poderá criar implicações no cenário político espanhol. A esquerda, acusada de proximidade com ETA, poderá ver acusações da direita cessarem. Nada que mude, no entanto, significativamente o jogo político atual no país, já que frente problemas econômicos e sociais crescentes, o terrorismo deixou de ser a principal preocupação. Neste caso, a liberdade é o mais significativo. Pode-se dizer, caso confirmada a promessa do ETA, que o país sairá da sombra, representada pela ameaça constante do terrorismo.

O ex-prefeito de San Sebastián, um das cidades mais afetadas pelo terrorismo do ETA, definiu o sentimento:

“Somos livres. Eu olho para vocês e não vejo mais ninguém com a necessidade de olhar para trás ou debaixo de seu carro, que algo ruim possa lhe acontecer na saída deste ato. É claro que as coisas mudaram. Sabem como se chama isso? Liberdade” (em tradução livre) 

Resta saber o que será feito dos membros restantes do grupo. Os que sofreram com mais de quatro décadas de ataques certamente não esquecerão, tampouco parece existir arrependimento por seus perpetradores. Ainda assim, mais um exemplo que a violência não levou a consubstanciação da causa original. O problema ainda não acabou. Zapatero, tal qual Obama com relação à Bin-Laden, certamente colocará em seu crédito político o final da atividade armada do ETA, mesmo sem a garantia do fim realmente definitivo.

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