Fim de temporada

Por

Estará chegando ao fim a novela mexicana que se tornou o programa nuclear iraniano? Se depender do tanto de reviravoltas que andam ocorrendo, parece que estamos lá pelos últimos capítulos. Indícios estão pipocando nessa semana.

Todos conhecem o caso da senhora Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por lapidação no Irã. Mais estranho que a declaração de Lula oferecendo asilo a ela no Brasil (após fazer vistas grossas a diversas violações e violadores de direitos humanos por aí e até mesmo dizer que devia-se respeitar a lei de cada país), foi a disposição de Teerã em considerar a proposta, algo impensável há alguns meses. Se vier a aceitar, certamente será uma cartada estratégica com a intenção de melhorar um pouco a imagem internacional do Irã.

Afinal, a coisa anda feia por aqueles lados – as sanções chegaram a todo vapor, da ONU e unilateralmente por parte de EUA e UE. Pra piorar, surgiu a notícia de que os EUA já teriam um plano de ataque pronto para completar seu tour de incursões militares na Ásia. Apesar dos desdobramentos negativos e pouca probabilidade de ação militar, é uma opção caso os outros meios de negociação falhem e Ahmadinejad sabe que não importa o quanto chantageie, os cowboys não tem medo de chegar atirando. Tanto que, aquele que há pouco tempo tresloucadamente dizia que o polvo Paul era o símbolo da decadência do Ocidente, já baixou a bola e chamou Obama para uma conversa.

Enquanto isso, seu governo se mostra aliviado pelo fato a AIEA dar sinais de querer retomar a negociação de troca de urânio com o Grupo de Viena, proposta por Turquia e Brasil-sil-sil. Parece que todas as partes envolvidas, fazendo suas pressões aos seus modos, dão sinal de querer voltar ao debate, o que aparentemente era inviável algumas semanas atrás. Uma hora a bravataria dá lugar ao bom senso, espera-se.


Categorias: Assistência Humanitária, Brasil, Direitos Humanos, Estados Unidos, Organizações Internacionais, Oriente Médio e Mundo Islâmico