Fim da linha

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Mapa da nova fronteira marítima entre Chile e Peru

Na última segunda-feira findou-se uma batalha que há muito tempo ecoava aqui na América do Sul. Chile e Peru, cuja rivalidade remonta à Guerra do Pacífico (1879-1883), na qual o segundo país perdeu dois territórios, além da Bolívia ter ficado sem saída para o mar, colocaram fim à contenda que estava nas mãos da Corte Internacional de Justiça, mais conhecida como Corte de Haia, desde 2008 sobre disputa envolvendo a fronteira marítima de 38 mil quilômetros quadrados do Oceano Pacífico (vide imagem acima).

O vencedor foi o Peru que adquiriu mais da metade dessa área. Seu presidente, Ollanta Humala, afirmou que foi um dia histórico para toda nação peruana. Por sua vez, o líder chileno, Sebastián Piñera, manteve o discurso diplomático dizendo que era isso mesmo que seu país esperava. O chefe da delegação chilena, Alberto Sort, foi mais incisivo e falou que a decisão de Haia não teve fundamento.

Além de ser uma contenda histórica envolvendo calorosos debates nacionalistas de ambos os lados, a postura adotada pela Corte de Haia, a qual é inapelável e seu cumprimento é obrigatório, trará algumas implicações diplomáticas e econômicas para a região. Daqui para frente o Peru deverá colocar em prática um plano de ação para poder salvaguardar seus direitos na área marítima. Seus vizinhos chilenos conseguiram manter a fronteira rica em pesca de anchovas, mas a Confederação de Pescadores do Chile lamentou profundamente o fato do país ter perdido “um terço de seu mar” por onde passava rotas de recursos pesqueiros.

Fim da linha para uma disputa que durou, em tese, aproximadamente cento e trinta anos e, na prática, quase sete. Interessante observar que os dois países prometeram cumprir o acordo exigido e proposto pela Corte de Haia. Mais interessante ainda é ver que o principal organismo internacional judiciário da Organização das Nações Unidas (ONU) está funcionando e conseguindo impactar as políticas estatais. Mesmo com toda atual conjuntura das relações internacionais que faz das fronteiras um conceito perene, permeável e transpassado, no caso entre Peru e Chile a faixa marítima nunca deixou de ser um assunto de interesse nacional.

*Fonte da imagem: veja.abril.com.br


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