Festa Junina Mundial

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Excepcionalmente neste ano a festa junina acontece no mês de maio. Os países resolveram antecipar as festividades de junho. O Irã e a Coréia do Norte já começaram a soltar as bombas. Os Estados Unidos e a União Européia trazem os doces e penduram as bandeiras, enquanto a China tenta se manter firme no pau de sebo. A fogueira está acesa e a quadrilha se embaralhou no seu próprio caracol. O mundo está confuso. Fala-se de segurança desconhecendo-se o que deve ser assegurado, fala-se de inimigos sem identificá-los. Só com muito quentão e vinho quente para entender esta realidade ininteligível…


Antes de lerem este post, que tal escutarem a entrevista do jornalista Roberto Godoy à TV Estadão? Vejam aqui. E querem saber qual o arsenal atômico da Coréia do Norte? Cliquem aqui.

Certamente, já é do conhecimento de todos: a saga norte-coreana continua. Na madrugada de ontem para hoje, a Coréia do Norte realizou um novo teste nuclear subterrâneo, porém, desta vez, o poderio do armamento foi superior àquele testado em 2006, quando provocou um tremor de 3,58 graus na escala Richter. Este último alcançou 4,7 graus. Mas agora o país não está sozinho (se é que chegou a estar), o Irã também lançou um míssil (o Sejil 2) com alcance de 2.000 km e capaz de atingir tanto Israel como as bases militares dos EUA no Golfo Pérsico.

Tão impressionante quanto ter líderes atípicos, os dois países também se aproximam na retórica e na divulgação dos fatos. A Coréia do Norte quer se defender e a necessidade da defesa é sustentada por seus cientistas e técnicos. Entretanto, quem a ameaça? Por sua vez, o Irã continua enriquecendo urânio para a consecução de fins energéticos. Só se for para gerar energia à tentativa de reeleição de Ahmadinejad. A outra coincidência: a difusão do evento como um grande sucesso por suas respectivas agências oficiais de notícias – imaginem os meios de comunicação nesses países tão democráticos.

A Coréia do Norte cumpriu a promessa de que realizaria um segundo teste caso a comunidade internacional não parasse de pressioná-la com sanções contra o seu programa nuclear. Mas por que o país faz tanta birra? Uma alternativa eu já elimino: não é para alimentar à sua população. Desde 1995, o povo sofre por causa da fome extrema – decorrente de inundações, maremotos, secas, etc. – e, segundo o Programa Mundial de Alimentos, 40% dos cidadãos norte-coreanos precisarão de ajudar alimentar com urgência nos próximos meses. Pelo que sei, ninguém se alimenta de plutônio. O que comumente se diz é que a empreitada norte-coreana visa ao aumento do seu poder de barganha no cenário mundial. E se alguém, no meio da rua, repentinamente dispara um tiro para o alto e pede para todos ao seu redor passar todo o dinheiro que tiverem, o que seria isso?

O Irã também tem as suas piadas. Há uma semana, Ahmadinejad declarou que “no futuro próximo, nós (o Irã) lançaremos foguetes ainda maiores e com alcance maior” e hoje afirmou que se opõe “à produção e proliferação de armas de destruição em massa”, negando também qualquer cooperação nuclear com o governo norte-coreano. É absolutamente incrível como as políticas mudam em pouco tempo. O país que não se cuide, mas não há comunidade internacional que impeça uma eventual represália do exército israelense.

Por falar na comunidade internacional, o que é que ela tem feito? Muito simples: esbravejar e se reunir. Cadê a ação? Logo pela manhã de hoje, Obama disse “Os EUA e a comunidade internacional devem atuar diante do ensaio nuclear da Coréia do Norte” e classificou o teste como uma grave violação do direito internacional. A Coréia do Sul colocou as suas Forças Armadas em alerta máxima. O Grupo dos Seis (EUA, China, Japão, Rússia e as Coréias) voltou a ser invocado para dissuadir o programa nuclear norte-coreano. Aliás, até a China decidiu agir e, ineditamente, repreendeu a atitude da Coréia do Norte, só que é contra a adoção de sanções severas para o país. O governo chinês nem escorrega e nem alcança o topo do pau de sebo.

Evidentemente, vocês poderão se perguntar se isso é agir. Eu confesso que também tenho minhas dúvidas quanto ao que se considera ação. Todas as ações previamente tomadas só levaram a esta situação. Por enquanto, quem solta bombas não come doces e nem pendura bandeiras.

O cenário internacional vive um momento bastante conturbado e está dividido entre a perspectiva de um ciclo vicioso e a iminência de um conflito – difícil dizer em que proporções. Todos se sentem ameaçados e inseguros ao mesmo tempo em que produzem ameaças e insegurança.

Viva São João! Quem sabe mudaremos nossos rumos para encontrar a luz…


Categorias: Ásia e Oceania, Oriente Médio e Mundo Islâmico


3 comments
Giovanni Okado
Giovanni Okado

Eu estava esperando que a ONU gritasse "É mentira!", mas realmente está bem tensa a situação.Obrigado pelo elogio, Jéssica.Abraços, pessoal.

Jéssica
Jéssica

EEiiiiiiiMuito bom o postgostei da comparação com a festa junina..

Alcir Candido
Alcir Candido

Só falta alguém gritar: "É MENTIRAAAAAAAAA!!"hauhuah