Festa histórica

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Não, o título do post não se refere ao Carnaval brasileiro e a toda a magia e simbolismo que o envolvem (provocando, por vezes, reações lastimáveis em meio à alegria das festividades). A festa histórica em questão é a festa dos eleitores líbios que finalmente – após 40 anos – se veem diante da possibilidade de escolherem seus representantes municipais.

Em Misrata, cidade-símbolo da resistência anti-Kadhafi, o dia foi de feriado nacional, sendo que elevado contingente da população participou do processo eleitoral. Em junho, o novo Parlamento da Líbia será escolhido e, pouco a pouco, espera-se que o país alcance sua estabilidade política. Um ano depois das revoluções que alteraram completamente o cenário geopolítico do Oriente Médio, a Líbia espera consolidar seu novo sistema político com a (antes impensável) participação popular.

De fato, eleições bem planejadas e, consequentemente, bem-sucedidas, promovem o fortalecimento das instituições democráticas; assim como o (sempre almejado) desenvolvimento de um país. Em termos de transformação do conflito e reconstrução social, a estabilidade de um sistema político baseado na legítima escolha da população representa um fator essencial à análise.

Garantir a boa realização destas eleições municipais e, principalmente, assegurar as condições para as eleições de junho serão interessantes indicadores para avaliar as características de uma Líbia pós-Revolução e sem Kadhafi. Apenas o tempo poderá dizer se a festa dos eleitores líbios de hoje pode, efetivamente, entrar para a História como um marco no desenvolvimento da democracia no país.


Categorias: Oriente Médio e Mundo Islâmico, Política e Política Externa


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