Falklands ou Malvinas?

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E o Ano Novo começa com uma antiga reivindicação dos nossos hermanos argentinos: a soberania das Ilhas Malvinas (ou Falklands, para os britânicos). Na semana de comemoração (?) dos 179 anos de ocupação do território pelo Reino Unido, ocorrida em 1833, a recente decisão do Mercado Comum do Sul (Mercosul) de proibir a presença de barcos com a bandeira das Malvinas em seus portos alcança ainda mais repercussão.

Depois de o Brasil, o Uruguai e, obviamente, a Argentina acordarem tal proibição (o Paraguai não tem litoral) no final do ano passado, agora o Chile também entra na lista dos apoiadores diretos. As iniciativas de isolamento das ilhas têm gerado preocupação no meio diplomático britânico, o qual considera sem justificativa o prejuízo do sustento da colônia.

A necessidade de retomada das negociações acerca da soberania das Malvinas vem sendo constantemente exposta há anos pelo governo argentino, sem que os britânicos cedam em aspecto algum. Em fóruns multilaterais, a importância deste diálogo já foi reforçada pelos países-membros do Mercosul, da União de Nações Sul-americanas (Unasul), da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), da Cúpula de Países Sulamericanos e Países Árabes (ASPA), da Cúpula de Países Sulamericanos e Africanos (ASA), do Grupo dos 77, entre outros mais… contudo, nenhum mecanismo foi ainda capaz de provocar a mobilização do governo inglês neste sentido.

É claro que, para os ingleses, não se trata apenas de uma região estratégica do ponto de vista geográfico nas Américas, mas também – ou principalmente – do ponto de vista político-econômico: a exploração dos recursos naturais locais (petróleo!) e a realização de atividades militares nas ilhas, por exemplo, deixam claro alguns dos motivos pelos quais o país da Rainha permanece intransigente. (Confira aqui um interessante post já publicado no blog a respeito.)

Segundo a chancelaria argentina, apenas uma solução pacífica, mas definitiva, a essa disputa pela soberania das ilhas acarretará o fim de “[…] uma anacrônica situação, incompatível com a evolução do atual mundo pós-colonial”. Enquanto isso não acontece, meios diversos vem sendo adotados pela Argentina e seus parceiros, tal como esta polêmica decisão de fechamento dos portos brasileiros, uruguaios, chilenos e argentinos às embarcações das Malvinas (aguardemos suas consequências!).

O mundo “pós-colonial” em que vivemos enfrenta ainda muitos desafios internacionais, sendo a luta pela soberania das Malvinas um dos mais conhecidos e complicados. Por um lado, há a indisponibilidade britânica ao diálogo que pode acarretar a perda de um território de grande relevância geopolítica na atualidade. Por outro lado, a pressão sul-americana vem sendo promovida das mais variadas formas possíveis.

Entretanto, mesmo após quase dois séculos, a disputa não parece ter um fim próximo. Pelo menos não enquanto o Reino Unido não enxergar uma contrapartida à altura para ceder e conceber que as Falklands sejam, oficial e finalmente, as Malvinas argentinas…


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